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Sporting da Covilhã aprova transformação da SDUQ em SAD

O Sporting da Covilhã aprovou hoje, por maioria, a transformação da Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas (SDUQ) em Sociedade Anónima Desportiva (SAD).

Após quase quatro horas de discussão, onde foram levantadas várias questões pelos cerca de cem sócios presentes na assembleia geral (AG) extraordinária marcada para a noite de quinta-feira, 29, a proposta da direcção foi aprovada com 67 votos a favor, seis abstenções e 27 votos contra.

A decisão prevê a criação de uma SAD com um capital social de 250 mil euros e, além dos 10 % de que o clube legalmente terá de ser detentor, serão vendidas aos sócios até 10% das ações, ficando os restantes 80 % disponíveis para investidores.

Os sócios podem subscrever, entre 02 e 09 de Janeiro, até cinco mil acções, a cinco euros cada, num total de 25 mil euros, tendo prioridade os associados mais antigos e, para ter direito a um voto, são necessárias 50 acções.

“Condições para obter melhores resultados desportivos”

Na proposta lida na reunião magna, a direcção do emblema serrano, que em Junho completa cem anos, sublinhou que o Sporting da Covilhã é o único clube do segundo escalão com uma SDUQ e, perante o investimento muito superior nas outras equipas, os ´leões da serra` têm vindo “a perder competitividade desportiva”.

Com a entrada de capital de terceiros na SAD “e no próprio clube”, passam a existir instrumentos financeiros que permitem “ter equipas com mais qualidade competitiva” e “condições para obter melhores resultados desportivos”.

Segundo a direcção, na documentação apresentada para sustentar a decisão, o Sporting da Covilhã, último classificado na II Liga, escalão em que compete há 15 épocas consecutivas, terá como melhorar “de forma significativa o seu sucesso desportivo e financeiro, o que permitirá crescer a notoriedade da sociedade e do clube”.

“É premente a transformação da sociedade em SAD, de forma a que a mesma possa competir com a mesma igualdade de armas com as sociedades com quem disputa a II Liga de futebol profissional”, foi referido no documento lido na AG.

A transformação da SDUQ, que tem como único sócio o clube, em SAD, “permitirá à administração captar outro tipo de investidores”, trazendo “ainda mais vantagens para o seu clube fundador, permitindo-lhe continuar a investir no seu património imobiliário desportivo, na melhoria das condições desportivas dos seus atletas de formação, bem como melhorar as vantagens dos seus sócios”, sublinhou a direcção, na mesma comunicação.

Clube fica “em condições de negociar a qualquer momento”

A direcção acrescentou que, além de permitir a entrada de terceiros no capital da sociedade, com a ambição de melhorar os resultados desportivos, a alteração na orgânica da gestão do clube também vai possibilitar “profissionalizar departamentos” que hoje “dependem do voluntarismo” de dirigentes.

O presidente, José Mendes, lembrou sempre ter resistido ao passo de avançar para uma SAD, apesar das muitas abordagens nesse sentido, mas explicou ter “maturado a situação” e ter chegado à conclusão que, para criar uma equipa competitiva, face ao investimento feito pelos adversários, “não há outra opção” e acrescentou ter “chegado agora o momento” porque “não há dinheiro” e capacidade para o clube ter orçamentos acima de um milhão de euros, comparando com estruturas com verbas sete a oito vezes superior.

“Não é só dizerem que querem chegar à I Liga”, respondeu o presidente aos sócios, sublinhando que o clube fica “em condições de negociar a qualquer momento”, embora possa até não o fazer, vincou.

Vários sócios pediram adiamento da votação

Durante a sessão, primeiro foi pedida a retirada desse ponto e a sua votação numa data posterior, por vários sócios terem manifestado a necessidade de mais tempo para uma reflexão mais ponderada e para uma análise mais profunda, considerando insuficiente terem tido apenas um dia desde que a proposta da direcção foi conhecida, na sessão de esclarecimento realizada na véspera.

“Retirar o ponto seria uma decisão sensata”, argumentou Marco Gabriel, sócio desde que nasceu, frisou, enfatizando ser preciso mais tempo para “reflectir” e depois iniciar o processo. O mesmo apelo fez Afonso Gomes, por entender tratar-se de “algo estruturante para a vida do clube” e não ser “um período suficientemente alargado para tomar uma decisão desta importância”. “Os sócios merecem maior envolvimento”, realçou.

Tiago Cunha advertiu que a decisão “é irreversível” e apelou para que fosse dado “mais tempo para aprofundar” o assunto. Hugo Duarte acentuou não conseguir “decidir hoje” se é virtuoso mudar de uma SDUQ “para uma SAD com estas características”, por só ter tido conhecimento da proposta “na sua plenitude” na véspera e esse período “muito curto” não lhe permitir fazer a pesquisa adequada.

“Os sócios querem resultados desportivos”

Por outro lado, Joaquim Matias afirmou que “com uma SAD a gestão é mais rigorosa e fiscalizada” e que “os sócios querem resultados desportivos”. “Vem trazer-nos uma luz ao fundo do túnel”, reforçou. “Sem investimento, hoje, torna-se muito difícil competir no futebol profissional”, disse Vítor Oliveira. Jorge Sousa é da mesma opinião, advogando que “para ter êxito desportivo, só com uma SAD”.

Francisco Moreira exortou ao “não arrastamento da situação”, mencionou as possibilidades de contratação de jogadores “em Janeiro” e Carlos Xistra acentuou que era contra a transformação da SDUQ em SAD, mas agora reconhece “não existir outro caminho”, pediu confiança no presidente e avisou: “ou viabilizamos, ou em Junho vamo-nos arrepender”, além de salientar estarem “salvaguardados todos os interesses primordiais do clube”.

Recusada votação por voto secreto

Foi depois solicitado que esta não fosse a última AG em que os sócios tivessem uma palavra a dizer sobre o futebol profissional e que a proposta do futuro investidor e o seu projecto desportivo fossem votados pelos sócios, sugestão que não teve o acolhimento da direcção.

Numa reunião muito participada, em que se ouviram protestos quando o presidente do órgão encerrou o período de intervenção dos associados, foi proposto por alguns sócios uma votação por voto secreto, rejeitada por Jorge Gomes.

“Este é um momento histórico na vida do clube”, rematou o presidente da AG, Jorge Gomes.

 

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