O presidente da Câmara de Belmonte, António Luís Beites, espera ter um ganho anual “muito significativo, entre os 25 e 30 mil euros anuais”, com a reestruturação do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Promoção e Desenvolvimento Social do Concelho de Belmonte (EMPDS). O anterior líder, Joaquim Costa, saiu, e para lhe suceder foi escolhida uma funcionária da Empresa, Susana Miranda, desde há muitos anos ligada aos espaços museológicos da vila. Os vogais são dois eleitos do Nós Cidadãos na Assembleia Municipal: Marta Santos e Vítor Gregório.
Na final da última reunião do executivo, António Luís Beites recordou ao NC que Susana Miranda “é uma funcionária da Empresa”, e que, assim, “deixou de haver um encargo externo exclusivo para o vencimento do presidente do Conselho de Administração.”
Durante a reunião, foram aprovadas por maioria (abstenção do vereador do PSD, Humberto Barroso) as contas de 2025 da Empresa, que revelaram um prejuízo de 116 mil euros, quando em 2024 tinha sido na ordem dos 65 mil euros. António Luís Beites recordou que, para ser sustentável, a Empresa tem que reduzir despesa e criar mais receita, mas disse esperar que a reorganização feita, com novo Conselho de Administração, possa ajudar. Embora não acredite que em 2026 os números já sejam positivos. “Confortável era ter um resultado positivo, mas temos noção de que não será possível” afirma, lembrando que para ter mais receita é preciso mais turismo, mas que as infraestruturas, degradadas, não atraem. E dá como exemplo o Museu dos Descobrimentos, um dos principais atrativos da vila. “Como está, não cativa. Estamos a tentar encontrar uma solução para o requalificar, através de uma linha de financiamento. Mas tudo isto leva o seu tempo”, afirma.
O autarca pretende que se reforcem parcerias com operadores turísticos para que visitem Belmonte, aproveitando sinergias e o potencial do concelho. “A localização, entre a Estrela, Gardunha e Malcata. E há grande proximidade a Espanha. É preciso cativar o turismo raiano”, lembra. “A relação com operadores turísticos tem que ser diferente. É preciso termos mais turistas cá”, afirma o autarca, que sabia que o resultado das contas seria negativo, mas “não esperava que fosse tanto”.
Humberto Barroso lembrou que a situação de prejuízo tem sido recorrente nos últimos anos. E disse existirem ainda mais 21 mil euros de dívida de um cliente à Empresa que ainda podem fazer crescer os números. “Já não acredito que o recebam”, disse, esperando que o novo Conselho de Administração “possa dar a volta”.
Paulo Borralhinho, vereador do PS, espera que a guerra não agrave a situação, uma vez que o movimento turístico tem baixado no mundo. E disse não concordar que seja dado como perda o valor em dívida à Empresa. “Tudo é recuperável”, afiançou.
Durante a assembleia municipal da passada quinta-feira, 30 de abril, as contas da Empresa foram aprovadas por maioria, com 14 votos a favor e cinco abstenções, do eleito da CDU, Manuel Magrinho, e dos eleitos do PSD. Tiago Gaspar, deste último partido, disse que se adivinha uma “missão muito difícil” ao novo Conselho de Administração, que ficou com “uma herança pesada da gestão socialista”, com as contas a revelarem uma “situação crítica”, em que as despesas não são cobertas pelas receitas, e em que só o dinheiro injetado pela autarquia consegue dar continuidade à Empresa.
