Suspensão da Linha da Beira Baixa prejudica mobilidade no Interior

Move Beiras diz que população é prejudicada nas deslocações entre localidades da região. Nuno Fazenda critica Governo, lembrando que há mais País para além da A1

Desde o passado dia 11 de fevereiro, que devido a estragos provocados pelo mau tempo, que na Linha da Beira Baixa apenas circulam comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda, e entre o Entroncamento e Abrantes, estando os restantes troços com circulação suspensa, segundo a CP- Comboios de Portugal. Uma situação que está a provocar desagrado a quem utilizava este meio, especialmente nas ligações a Lisboa.

A Associação Move Beiras, criada com o intuito de valorizar as pessoas e
os territórios percorridos pelas Linhas da Beira Baixa e Beira Alta, através da utilização do comboio, em comunicado, manifesta “grande preocupação sobre a interrupção prolongada da Linha da Beira Baixa causada pelas recentes tempestades e o impacto que está a ter na mobilidade da Beira Interior.” A mesma lembra que desde a interrupção, há 16 dias, que os comboios entre Castelo Branco e a Guarda se limitam ao serviço Regional, “apesar deste troço estar operacional”, reduzindo assim a oferta entre as cidades de Castelo Branco, Fundão e Covilhã “para metade” e, “mais drasticamente, no troço Covilhã – Guarda, onde a oferta passou de 10 comboios diários para 4, inviabilizando que pessoas desse troço se possam deslocar, por exemplo, à Covilhã para consultas médicas pela manhã e regressar à tarde.”

A Move Beiras diz saber que a reparação da via junto ao Tejo, devido à complexidade
do local, poderá demorar várias semanas, mas considera inaceitável que a população se veja “privada de oferta de serviços, num território que já é altamente carente de transportes públicos. Trata-se de uma questão de coesão territorial, numa região onde a mobilidade é um direito básico ainda por garantir plenamente e a manutenção dos serviços ferroviários desempenha um papel importante no combate às assimetrias regionais”, salienta. A associação, perante uma “provável” interrupção a médio prazo, apela à tutela que avance com medidas mitigatórias, através da reposição parcial dos Intercidades no troço Castelo Branco – Guarda, “mesmo que seja através das automotoras que asseguram o serviço Regional”, avaliando também que essas medidas possam ser estendidas ao troço entre Castelo Branco e Vila Velha de Ródão, actualmente sem qualquer serviço, assegurando o restante trajeto até Abrantes “com serviço rodoviário de substituição.” A Move Beiras apela também à reposição do prolongamento do Intercidades da Linha da Beira Alta até à Covilhã,
suprimida em 2022.

“Há mais País para além da A1”

Este tema também foi abordado na Assembleia da República pelo deputado socialista, e covilhanense, Nuno Fazenda, que lembrou que há já duas semanas que a Linha da Beira Baixa está interrompida. “Convinha que alguém da bancada que apoia o Governo informasse que existe Beira Baixa, que a linha está interrompida, que não há nenhum transporte alternativo, que não há nenhum transporte de transbordo e não há sequer nenhuma máquina naquele território. Ora, há mais País para além da A1 e por isso era importante que as bancadas que apoiam o Governo lembrassem que também têm de olhar para a Beira Baixa”, disse Nuno Fazenda.

Em termos regionais, também a Junta de Freguesia de Caria já se manifestou sobre esta suspensão. Em comunicado, a autarquia manifesta a sua preocupação relativamente à interrupção prolongada da Linha, situação que está a afetar “significativamente a mobilidade das populações da nossa região.” A Junta afirma que a redução do número de comboios e as limitações na circulação “têm causado constrangimentos a trabalhadores, estudantes e utentes que dependem diariamente deste serviço ferroviário.”

Entre os utentes que usam frequentemente o comboio, ouvidos pelo NC, percebe-se a interrupção, temendo que a mesma se prolongue por muito tempo. Mas critica-se sobretudo a não existência de um serviço de transbordo assegurado pela IP- Infraestruturas de Portugal, no percurso que está encerrado, entre Mouriscas e Vila Velha de Ródão, que obriga a viagens bem mais extensas, optando muitos deles por apenas utilizar o autocarro.

 

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