Os novos tarifários de água aprovados em janeiro pelo executivo local “já não são amigos da população”, mas foi a “proposta possível” de aprovar. Quem o diz é o próprio presidente da autarquia, António Luís Beites, que adianta que face “à realidade que temos, deveriam ser mais baixos”.
Na última assembleia municipal, realizada na passada sexta-feira, 27, o autarca foi confrontado com o facto de, no final de 2025 ter dito que os tarifários de água se mantinham e, dois meses depois, tê-los aumentado. Beites disse que manteve para não haver um vazio legal de não haver um tarifário aprovado, mas que face ao aumento dos custos com os resíduos sólidos, não houve outra alternativa senão aumentar, numa ginástica contabilística em que se tentou minimizar os efeitos com a redução de taxas de saneamento.
Tiago Gaspar, eleito do PSD, perguntou diretamente se haveria uma relação entre o acordo alcançado, e anunciado de manhã, na sessão do executivo, para pagamento de uma dívida à empresa que recolhe o lixo (SUMA), na ordem dos 400 mil euros. “Os munícipes é que estão a pagar a dívida?” perguntou Tiago Gaspar, que rejeita que o equilíbrio financeiro do setor passe por um aumento de “32% por cento” na fatura. “Que o buraco não se tape com mais impostos, mas reduzindo o que se gasta”, aconselhou o social-democrata, que considerou “um escândalo” as perdas de água no sistema.
O presidente da Câmara negou uma relação direta e até disse que no acordo alcançado, caso a autarquia cumpra prazos, os 90 mil euros em juros de mora que existiam não serão pagos. “Não tem nada a ver com isso”, garantiu, lembrando que o custo da tonelada recolhida, e depois tratada na ResiEstrela, aumentou de 30 para 80 euros nos últimos anos. “As autarquias estão confrontadas com esta realidade”, disse, que se reflete na fatura da água. Daí apelar a uma maior consciencialização das pessoas para a separação de resíduos, lembrando que estas são as tarifas para 2026 e acreditando que em 2027 o tarifário possa ser revisto “em baixa”.
Finanças a cobrarem dívidas
Durante a assembleia, o autarca anunciou ainda que quem tem faturas da água em dívida ao município de Belmonte pode, nos próximos dias, ver chegar uma carta das Finanças para regularizar essa dívida. Pelo menos, foi aquilo que deu a entender quando instado pelo eleito da CDU, Manuel Magrinho, a revelar se havia muitos cidadãos em falta. “A Autoridade Tributária é que está a fazer a cobrança dos devedores” disse o autarca, que também disse ao eleito da CDU que a Câmara não tem condições para chamar a si a recolha de resíduos urbanos sólidos, como aconteceu há muitos anos atrás, e era desejo de Manuel Magrinho. “A autarquia não tem material e viaturas para esse serviço” disse Beites.
Durante a manhã, durante a reunião pública do executivo, foi aprovado o concurso da recolha de lixo para os próximos três anos, que voltará a ser feito pela SUMA. Segundo Beites, alcançado o acordo para pagar a dívida, a empresa, no caderno de encargos tem a responsabilidade de reforçar o concelho com 200 novos contentores do lixo, e mais 70 que já vinham do contrato anterior.
