Teatro das Beiras leva a palco um outro D. Quixote

Peça “D. Quixote e Pança, sonhadores do mundo”, estreia amanhã. E traz ao palco uma figura mais portuguesa, num espetáculo que aborda também temas como as redes sociais ou a violência

É um D. Quixote “mais português”, que está sempre “a imaginar mundos” aquele que, a partir de amanhã, terça-feira, 14, pode ver no palco do auditório Fernando Landeira, no Teatro das Beiras, Covilhã. A peça “Quixote e Pança, sonhadores do mundo”, é exibida às 10:30, e as e às 14:30, para as escolas, estando em cena até dia 17, e num segundo período, entre 20 e 23 deste mês. Mas segundo o seu encenador, não se destina apenas a crianças. “É um texto universal”, garante Paulo Calatré.

O NC assistiu, na passada sexta-feira, 10, a um ensaio aberto de uma obra que desconstrói o clássico de Cervantes, e que inclui também textos de António José da Silva, aproximando a mítica figura do público. Em palco, quatro jovens encontram abrigo num antigo teatro, abandonado, abrem um livro antigo através do qual entram no universo de Dom Quixote e Sancho Pança. A partir daí, realidade e imaginação acabam por se misturar, numa peça em que, apesar do cómico, também se fala de coisas mais sérias da atualidade, como a dependência das redes sociais ou a violência gratuita.

“Tal como Dom Quixote e Sancho Pança, estes quatro jovens estão no palco, no lugar das histórias, no lugar onde o real se desfaz e o sonho começa. E talvez não haja diferença. Inventam mundos como quem acende luzes no escuro. Perdem-se para se encontrarem. Brincam à loucura ou será à liberdade? E uma pergunta fica suspensa no ar: quem é que decide o que é verdadeiro? Lá fora, o mundo corre depressa. Ecrãs acesos, internet acelerada, tudo imediato, tudo já. O mistério encolhe. A imaginação adormece. Mas aqui, neste palco, ela, a imaginação, resiste. Respira. Cresce. E lembra-nos que imaginar pode ser o mais corajoso dos atos. Que a imaginação é a energia mais poderosa do mundo”, conta a sinopse da obra.

O espetáculo, diz o encenador, pode ajudar os mais novos a se aproximarem de um clássico da literatura. “Mesmo que não saibam quem é o Dom Quixote, vão ver aqui um aventureiro como eles, quando estão a brincar”, salienta Paulo Calatré, que afirma que o livro pode levar a “viajar por mundos que nem sequer existem. O encenador recusa a ideia de ser uma peça apenas para crianças.  “Não acho que há espetáculos para a infância”, defende, lembrando que o teatro é sempre partilhado entre diferentes gerações e que o objetivo é criar uma experiência acessível tanto a crianças como a adultos.  Assim, além das sessões dedicadas às escolas, a 18 de abril (sábado), o público em geral pode assistir à peça, numa sessão agendada para as 21:30.

A peça, criada a partir de Miguel de Cervantes e António José da Silva, conta com a interpretação de Benedita Mendes, Eduardo Corono, Ellen Rodrigues e Miguel Brás.

É para maiores de seis anos, dura 45 minutos, e os bilhetes estão disponíveis quer no Teatro das Beiras, quer em Ticketline.

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