Teatro Municipal já tem regulamento aprovado

Assembleia Municipal aprova regulamento de funcionamento e gestão da sala de espectáculos. Oposição lamenta que associações locais só possam usar o espaço uma vez por ano
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Os regulamentos são “normas de bom senso” e “incontornáveis”. Foi assim que o presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira, explicou o regulamento de funcionamento e gestão do Teatro Municipal da Covilhã/Centro de Inovação Cultural da Covilhã, que reabriu portas há menos de um mês, e que foi aprovado por maioria, na passada segunda-feira, 29 de Novembro, pelos deputados da Assembleia Municipal.

Um documento que, contudo, mereceu reparos da parte da oposição, nomeadamente no que diz respeito à falta de participação dos agentes culturais na sua elaboração, e ao pouco espaço deixado às associações locais para ali levarem a cabo as suas iniciativas.

Vanda Ferreira, do PSD/CDS/IL, diz que “faltou uma verdadeira auscultação pública. Só teve três participações. Ou os covilhanenses participam pouco, ou isso não foi bem divulgado. Houve alterações, mas ficou aquém, nomeadamente no contributo das associações locais. Já agora, onde está definido o director artístico neste regulamento? O que faz? Quantas pessoas tem o Teatro no seu quadro pessoal?”

Fernando Pinheiro, do movimento “Covilhã tem força”, não consegue entender o “porquê de estarmos a oferecer o teatro à cidade, e o porquê das associações não profissionais só poderem usar o espaço uma vez por ano.”

Uma casa sem instalação para a máquina de lavar

Mónica Ramôa, da CDU, citando Fausto, afirma que o Teatro Municipal faz lembrar “um sonho lindo, inacabado.” Uma sala renovada, com mais capacidade técnica, “mas será inclusiva”, pergunta, afirmando que com uma plateia plana e um palco alto, nem todos conseguem aceder à mesma. “Todos estão embevecidos pela obra, mas nós não. Não se focou em quem faz e está na cultura. É como fazer uma casa sem instalação para a máquina de lavar a roupa” metaforiza, criticando o facto dos agentes culturais da cidade não terem sido “chamados a intervir na génese do documento, a não ser apenas na fase de consulta pública.” Mónica Ramôa garante que as companhias profissionais de teatro da Covilhã pediram 10 utilizações anuais, mas “só têm direito a cinco” e critica, também ela, que as colectividades amadoras só uma vez por ano possam utilizar a sala.

“Derrapagem financeira que arrepia qualquer um”

Já para João Flores Casteleiro, do PS, só a existência deste regulamento “mantém a igualdade no acesso ao teatro.” Um documento que “permite o alargamento de actividades de companhias não profissionais, caso se justifique.” Para o deputado socialista, um espaço “que orgulha a todos. A Covilhã tem condições para ser o epicentro cultural da Beira Interior.”

Vanda Ferreira, do PSD/CDS/Il, elogiou o facto da obra ter sido “finalmente” realizada, com o cumprir de uma promessa eleitoral “feita há 8 anos atrás”, mas revelou o seu desagrado pela “derrapagem financeira” na sua execução, que “arrepia qualquer um.” “Uma obra adjudicada por menos de quatro milhões, custou mais de cinco. Não é normal nem natural. Está em causa o dinheiro de todos nós. Passa imagem de despesismo e pouco rigor na gestão da causa pública” critica.

“Não foi uma obrazinha”

Vítor Pereira lembrou que o que estava em causa era a aprovação do regulamento, mas “muito se disse” foi do Teatro Municipal em si. “Se fosse presidente da mesa da Assembleia tinha cortada a palavra a dois terços do que se disse” ironizou. O autarca diz que o seu executivo fez aquilo que já devia estar feito há 20 anos. “Uma terra com esta pujança cultural, devia envergonhar-se em não ter há 20 ou 30 anos esta sala” frisa.

Quanto aos regulamentos, “são incontornáveis. São normas de bom senso.” O autarca explica que, por exemplo, para montar, realizar e desmontar um espectáculo na sala são precisos três dias. “Há 152 associações que a podem utilizar. Agora é só fazer as contas. Se todas a quisessem utilizar, não sei como faríamos. Temos que ser equilibrados, razoáveis. É um regulamento minimalista, que não é inflexível. Temos que ser humildes nestas coisas. É difícil compaginar o riquíssimo movimento associativo que temos” afirma.

Sobre os custos acrescidos da obra, Vítor Pereira recorda que “não estamos a falar só da reabilitação do teatro, mas da residencial Montalto. É um desfasamento financeiro de 14 por cento. Vejam as obras de reabilitação como são. É muito mais fácil fazer e construir de novo. Aquilo não foi uma obrazinha. Era impossível prever. A obra teve fiscalização pública” garante, aconselhando quem quiser “fazer insinuações que diga algo de concreto ou cale-se para sempre.” Sobre a falta de participação na elaboração do regulamento, “se não teve mais, a culpa não foi da Câmara.”

(Notícia completa na edição papel)

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