“Terra Vil”: a primeira longa-metragem de um filho da Covilhã

Filme, que estreia amanhã nos cinemas, é realizado por Luís Campos, neto de Artur de Almeida Campos, covilhanense que fundou o Café Montalto. Na Covilhã é exibido a 5 de março, dia da reabertura das salas do Serra Shopping

Uma história de amparo entre duas famílias fragmentadas, e o retrato de uma comunidade e região marcadas quer pelo encerramento das Minas de Pejão, quer pela tragédia de Entre-os-Rios (Castelo de Paiva). É este o tema central do filme “Terra Vil”, a primeira longa-metragem de Luís Campos, que estreia amanhã, quinta-feira, 26, nas salas de cinema de todo o País. E que terá uma sessão especial, na próxima semana (quinta-feira, 5), na Covilhã, marcando assim a reabertura das salas de cinema do Serra Shopping.

Uma vinda à Cidade Neve, às salas de cinema que passam a ser exploradas pela Castello Lopes (numa sessão especial que contará com o realizador) a que não é estranho o facto de Luís Campos ser…covilhanense. Nasceu na cidade, onde viveu alguns anos, até ter ido com os pais para o Algarve, tendo voltado à Covilhã para se licenciar em cinema na UBI. Na terra de onde era originário o seu avô, Artur de Almeida Campos, um empresário covilhanense associado ao desenvolvimento do setor da restauração e hotelaria na região, especialmente em meados do século XX. E que foi fundador do célebre Café Montalto, no edifício em que hoje está o Balcão Único, mas onde figura uma placa de homenagem que a Câmara da Covilhã lhe prestou em 2007. “Tendo eu próprio nascido e vivido a minha infância na Covilhã e já adulto estudado cinema na UBI, estarei presente numa sessão especial do filme dia 5, às 21h30 na Covilhã, data que coincide com a reabertura das salas do Serra Shopping agora como Castello Lopes” explica ao NC Luís Campos.

O realizador recorda que o filme evoca, ainda que de forma indireta, a tragédia da queda da ponte Hintze Ribeiro, em 2001 (há 25 anos) e que causou a morte a 59 pessoas, e que tinha vontade de, através da ficção, retratar uma paisagem humana e física do Interior do País, que Luís bem conhece, deixando transparecer “uma certa portugalidade” através da história de duas famílias independentes, que se apoiavam mutuamente. Famílias interpretadas pelos atores como Ruben Gomes e o estreante William Cesnek, um pai pescador com problemas de alcoolismo, e um filho, adolescente, em risco. E que conta também com Lúcia Moniz, Beatriz Relvas e Francisca Sobrinho, no papel de uma mãe e filhas adolescentes, que ajudam na educação do rapaz e na apanha e venda de lampreia.

Luís Campos, à Lusa, conta que “várias histórias que eu fui conhecendo localmente foram influenciando [o argumento], mas eu não me inspirei em nenhuma história em particular, eu não quis retratar a pessoa A, B ou C, foi mais esse sentimento quase comunitário geral da região. (…) Há ali um trauma psicológico que é partilhado pela comunidade, tenham tido perdas diretas ou não, mas eu acho que foi essa atmosfera, no seu todo, meio etnográfica, uma paisagem deslumbrante, que eu acho que torna o filme muito bonito”.

“Terra Vil”, filmado em Castelo de Paiva, Penafiel e Entre-os-Rios, foi já exibido a membros da comunidade de Castelo de Paiva, nomeadamente da associação de familiares das vítimas da queda da ponte Hintze Ribeiro. “O ‘feedback’ que me deram é que se sentiram devidamente respeitados, que o filme é respeitoso e isso para mim era muito importante; que, da perspetiva deles, o filme pode ajudar num diálogo constante de superação que estas pessoas têm para lidar com esse trauma, que eu acho que é muito forte”, conta à Lusa. O realizador covilhanense acredita que a película evidencia muito uma “certa portugalidade”.

“Terra Vil” é uma produção da Matiné, em coprodução com Itália, e conta com apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual e da RTP. Uma das particularidades da produtora é o facto de pertencer a Luís Campos e à esposa, Ana Almeida, natural de Belmonte, e que também se licenciou em cinema na UBI, onde conheceu Luís.

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