Todos de acordo: o fecho da estrada 232 entre Manteigas e as Penhas Douradas, devido a um aluimento de terras, que manterá a estrada fechada durante tempo indeterminado (estima-se que mais de dois anos), deve voltar a colocar no centro da discussão a possibilidade de se construírem túneis que atravessem a Serra da Estrela. Foi esta a opinião manifestada por eleitos do executivo da Câmara de Manteigas na sua última reunião, na passada segunda-feira.
Carla Leitão, vereadora eleita pelo movimento Manteigas 2030 (que se estreou no executivo em substituição de João Cardoso), afirmou que o fecho da estrada “deve voltar a colocar em cima da mesa a questão dos túneis da Serra”. Recordando o papel que os antigos cantoneiros florestais, entretanto extintos, faziam na preservação e conservação de estradas na Serra, a vereadora criticou o facto das acessibilidades na Serra “sempre terem sido esquecidas”.
Nuno Soares, vereador do PS, também admite ser “essencial” voltar a colocar o tema na ordem da discussão pública. “Têm estado escondidos no baú, mas este é um cenário que se deve voltar a colocar. É caro, demorado, mas tem que existir uma vontade política que até hoje nunca existiu”, disse o eleito socialista, que acredita que, “tecnicamente, não será uma obra tão complicada quanto isso”.
O presidente da autarquia, Flávio Massano, admite que os constrangimentos que agora Manteigas tem face ao desmoronamento da Estrada Nacional 232 é “uma boa forma de por o assunto na ordem do dia, mas não é fácil”. O autarca diz não saber qual a opinião de municípios vizinhos, como Seia e Covilhã, sobre o assunto, e admite que o facto de haver pouca gente na região é um entrave a uma obra dessa envergadura. “Se vivessem aqui 200 mil pessoas, talvez fosse diferente. Mas aqui somos poucos, infelizmente” disse o presidente da Câmara. Que recorda que o Plano Estratégico de Investimentos da IP (Infraestruturas de Portugal) para os próximos dez anos não contempla os túneis na Serra, e deixa críticas ao Governo pela maneira como olha o território. “Nem o Plano de Revitalização da Serra, que estava aprovado, concretizaram, quanto mais os túneis”, ironiza.
