“Um dos problemas mais sérios que temos é a falta de emprego”

Pela primeira vez na história, o CHEGA tem um candidato à presidência da Câmara da Covilhã. Carlos Curto, 53 anos, deseja realizar “coisas que não foram feitas” na cidade e acredita que é possível ganhar
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Quem é Carlos Curto e porque se candidata a presidente de Câmara?

Sou carpinteiro, morador nos Penedos Altos e nascido na Covilhã. Tenho uma filha e actualmente trabalho durante a semana em Évora e passo os fins-de-semana na Covilhã. Durante mais de 30 anos fiquei numa cadeira de rodas, devido a uma doença rara, mas graças a Deus consegui voltar a andar e recomeçar a trabalhar. Morei na Biquinha, um bairro social, mais de 25 anos, e agora estou nos Penedos Altos. Sou nascido no Lameirão de Baixo, que hoje é Cantar Galo. Candidato-me à Câmara para mudar o que está errado. Há muitas coisas que podem ser feitas no concelho e muitas vezes são deixadas de lado pelos políticos. Quero fazer coisas pelas pessoas e tentar melhorar a vida delas.

É a primeira vez que o CHEGA aposta nas autárquicas aqui. Quais as expectativas?

A minha há candidatura foi decidida na semana passada. As listas haviam sido aprovadas e para mim foi uma surpresa. A mim, o partido disse para sair na lista e de repente, vejo-me frente a frente com a candidatura. O CHEGA, em princípio, iria participar para marcar presença nas eleições, sair nas listas de voto e ganhar experiência. Esse era o primeiro objectivo. Mas, neste momento, se a gente chegar ao fim e tiver uma boa votação, melhor ainda.

“Acessos às freguesias devem ser melhorados”

Quais os principais problemas que ainda identifica no concelho que não tenham sido resolvidos?

Um dos problemas mais graves do concelho, para mim, é a habitação social. Por exemplo o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis). A pessoa tem uma casa e penso que não devia pagar tanto imposto por isso. Além disso, há vários problemas a serem atacados, mas esse é um dos primeiros no nosso programa. Outro deles são os acessos às freguesias, que precisam ser melhorados, e a questão das portagens, que precisa ser resolvida. Mas todos são problemas que serão solucionados quando chegarmos à Câmara.

Os últimos Censos revelam que, em dez anos, a Covilhã perdeu mais de cinco mil pessoas. O que pensa fazer para estancar esta sangria?

Um dos problemas mais sérios que temos é a falta de emprego para os nossos moradores. Portanto eu, como candidato à Câmara Municipal, se chegar lá, tentarei o diálogo com várias empresas para criarmos condições a que se criem mais empregos aqui para a cidade. Fazer mais pela cidade para não haver tanto despovoamento, como está a acontecer agora. A falta de emprego é que gera isso. As pessoas saem do concelho em busca de novas oportunidades de trabalho. Temos que reverter isso.

“Poderemos ficar em primeiro”

Qual será um bom resultado? Ganhar a Câmara? Ser vereador? Ou acha isso irrealista?

Vale a pena sempre participar. O CHEGA vai levar maior conhecimento às pessoas do que são as suas propostas e a sua vontade de mudar o que está aí. O melhor resultado, para nós, é ganhar a Câmara da Covilhã. E isso é possível.

Aceitará algum tipo de acordo pós-eleitoral?

Neste momento, não estamos para fazer acordo nenhum. Vamos ver os resultados e ver até onde podemos chegar. Essa é a nossa ideia. Mas penso que poderemos ficar em primeiro e vencer.

PERFIL

Carlos Curto

O carpinteiro Carlos Curto, 53 anos, é o candidato do CHEGA à Câmara da Covilhã. Nascido no Lameirão de Baixo, trabalha em Évora actualmente e passa os fins-de-semana na Covilhã, onde mora no Penedos Altos.  Entre 2001 e 2011 trabalhou na recepção da Biblioteca Municipal e também foi um dos fundadores da Associação Portuguesa de Deficientes (APD), delegação distrital. Casado, tem uma filha e também residiu na Biquinha durante 26 anos. Teve uma doença rara que o colocou durante mais de 30 anos numa cadeira de rodas, mas conseguiu recuperar. “Hoje consigo caminhar sem a ajuda de ninguém e voltei a trabalhar”, explica, recordando que, há três anos atrás, “não tinha nenhuma força nas pernas, não podia me levantar sozinho e nem caminhar”.

Agora, decidiu entrar na política e concorrer às autárquicas. “Quero ajudar e realizar coisas que até agora não foram feitas no concelho da Covilhã”, finaliz, lembrando que na Covilhã o CHEGA “já tem muitos militantes” e na região, também já tem alguns candidatos.

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