Uma medida muito insuficiente

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António Rodrigues de Assunção

A imprensa local noticiou que na reunião pública da Câmara realizada em 19 de Novembro, foi aprovada por unanimidade “a restrição do horário de funcionamento até às 4 horas da manhã” do estabelecimento “Equilíbrio”, localizado no Jardim Público da Cidade. Ainda segundo a comunicação social, o presidente da Câmara, Vítor Pereira, assinalou “as queixas às dezenas e de forma recorrente” à PSP e GNR, queixas essas apresentadas tanto da parte dos habitantes como de unidades hoteleiras localizadas naquela zona da Cidade. Perante esta situação, o executivo camarário deliberou que aquele estabelecimento deixe de funcionar até às 8.00 horas da manhã e passe a encerrar às 4.00 horas, durante um período experimental de cinco meses.

Esta situação perturbadora da tranquilidade e do sossego dos habitantes, que não afecta apenas a zona do Jardim Público mas se estende a outras, como por exemplo a zona habitacional envolvente do chamado Jardim do Lago, a cafés abertos até quase de madrugada e até ao interior de prédios onde residem estudantes, por um lado não me espanta e para ela já chamei a atenção oportunamente. O que me espanta, sim, é que as autoridades e em primeiro lugar a Câmara Municipal, tanto tempo tenham demorado a agir, numa demonstração clara de indiferença face ao sofrimento de dezenas de habitantes, que são vítimas de comportamentos que devem muito à civilização. Com efeito, é desolador constatar que o senhor presidente da Câmara só agora venha reconhecer que as queixas dos munícipes “são dezenas e de forma recorrente”, como se alguém minimamente informado não saiba que tais informações chegam aos montes, praticamente todas as semanas aos serviços da Câmara, enviadas pela PSP, há anos consecutivos. Mas trata-se de mais um exemplo ilustrativo do desleixo e da indiferença a que os responsáveis autárquicos têm vindo a votar alguns aspectos do quotidiano da cidade e de que são vítimas os cidadãos. Não podemos deixar de nos indignar.

Mas a medida agora tomada, de redução de duas horas no horário nocturno do estabelecimento, é não só muito insuficiente como também, por isso mesmo, torna-se anedótica. Disse o senhor Vítor Pereira que “fechar o estabelecimento às 8.00 horas da manhã faz com que as pessoas que precisam de trabalhar e repousar não o consigam fazer, assim como os hóspedes da unidade de hoteleira das imediações que acabam por passar a noite em branco por causa do ruído constante, diário e sucessivo”. De facto, é caso para dizer ao edil que nós isto não sabíamos! Não o sabíamos até hoje e, graças ao senhor Presidente, tomamos agora consciência não só do problema, mas sobretudo dos efeitos gravosíssimos que ele provoca na tranquilidade, direito ao repouso e também à saúde de tantos moradores. Temos, pois, de lhe estar gratos!

E gratos ainda por uma outra razão derivada da principal: é que agora, dispondo de mais umas horitas de direito (!) ao sono e ao repouso, os muitos habitantes – mesmo aqueles que têm de se medicar para poderem dormir – vão finalmente descansar a fim de estarem prontos a partir logo de manhã cedo para os seus postos de trabalho. Quatro horas de repouso chegam e mais do que chegam…

Mas, falando a sério: alguém acredita nisto, a começar evidentemente pelos membros da vereação? Ou estes não têm estabelecimentos de vida nocturna nas imediações das suas casas e, portanto, não sabem do que estão a falar?

Já lá vão algumas boas décadas desde que os estabelecimentos fabris da Covilhã – os ainda existentes ou os novos a criar – se viram compelidos a deixar a cidade, que poluíam e enchiam os ares, de noite e de dia, com o ruído dos seus teares, a instalarem-se em parques industriais localizados nas periferias da cidade. Excelente e oportuna medida. Por que não meditar nisto, senhores autarcas?

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