Vence o bloqueio?

Não nos deixemos acomodar pela indiferença e passividade
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Ninguém pode negar os inúmeros esforços que o Papa Francisco tem feito para renovar a Igreja que lidera, mas que não é sua em exclusividade. Ninguém pode ficar indiferente ao seu desejo de mudança, de reabilitação e conversão dos conceitos antigos e talvez “ultrapassados” como que se tem encarado o papel e o lugar da Igreja no mundo, na sociedade.

Prova disso têm sido os temas que assume com grande dedicação e preocupação ao longo deste pontificado de 8 anos: a ecologia, a família, a transparência, os jovens e a alegria sempre presente em cada documento que publica, em cada intervenção que faz em cada sorriso que esboça.

E no meio de toda a preocupação que manifesta diante das realidades que circundam a vida social, há sempre uma palavra de incentivo e de esperança, de exortação e ânimo para que o trabalho que não é apenas seu, possa produzir efeitos na visão e vivência de uma Igreja que dá testemunho da alegria que a deve caracterizar, ao invés do seu “lado obscuro e recriminador”, pelo qual tantos a observam.

Exemplo disso é a mensagem lançada para a comemoração do Dia Mundial da Juventude, que se celebra este domingo, 21, depois de durante tantos anos se ter celebrado no Domingo de Ramos.

Francisco, inspirando-se no exemplo de S. Paulo, convida cada jovem: “Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste!” (Act 26, 16). O apelo terá sido feito pelo próprio Jesus Cristo a Paulo, que outrora fora o grande perseguidor da mensagem cristã. Por isso, partindo desse exemplo do que ocorreu há cerca de 2000 anos, Francisco pede aos jovens que sejam eles, hoje o novo rosto de uma Igreja que se ergue e se quer reabilitar. Talvez, porque percebe que as forças de bloqueio tradicionais e conservadoras sejam demasiado fortes para que aconteça a renovação.

Lembrando a cada jovem que tem um poder enorme nas suas mãos de fazer levantar o mundo, o Papa mostra bem que, juntamente com o Sínodo que convocou e no qual quer fazer repensar a Igreja, ficar inertes e passivos diante dos tempos que vivemos, é a pior das atitudes de quem se diz cristão.

A dificuldade de compromisso e de comprometimento com as causas da Igreja são uma das características do momento. Não apenas da parte dos jovens, mas de todos, há como que um descrédito e uma indiferença que se manifesta cada vez mais na “fraca” participação na missa do domingo e pouco mais…

A Igreja não pode ser apenas uma hora por semana. E nesse desejo do Papa está o desejo de quem queria o tal “mundo melhor”, porque aprender a mensagem evangélica é aprender que dar de si, contribuir para a fraternidade e igualdade sociais, trabalhar contra a exclusão e discriminação partem sempre de um evangelho que se escuta e que depois se põe em prática.

Continuar a acreditar no sonho de uma Igreja, que se insere no meio de uma sociedade para a fortalecer e ajudar a redescobrir um padrão de valores morais, é o desafio do momento e sem desafios somos muito pouco, somos seres impávidos mas sem serenidade interior.

Serão as tais forças de bloqueio mais importantes que a vontade de mudança e de renovação? Se o não são, então levantemo-nos: há muito para fazer e muito por conquistar. Não nos deixemos acomodar pela indiferença e passividade que impedem o sonho de uma Igreja diferente e melhor.

O contributo dos jovens é deveras importantíssimo, mas está nas mãos de todos realizar o que se espera de nós!