Vereadores da oposição contra “concessão monopolista” do sistema de mobilidade

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Os vereadores da oposição na Câmara da Covilhã, Pedro Farromba, Marta Alçada e Ricardo Silva, acusam a autarquia de ter feito uma “concessão monopolista, abusiva e distorcida da realidade” no sistema de mobilidade da cidade.

Hoje, em conferência de imprensa, os três autarcas criticaram o aumento de estacionamento pago na cidade, nomeadamente em zonas como a piscina municipal, central de camionagem, ou zonas habitacionais como a zona do Jardim das Artes ou Rua Mateus Fernandes. “Hoje os covilhanenses devem saber que vão ser taxados com mais um imposto oriundo de um contrato monopolista que prejudica de forma clara os covilhanenses” afirmam os vereadores, que consideram a concessão à Movi Covilhã, do grupo Transdev, que começa a operar a 2 de Fevereiro, um negócio “abusivo” que lesa os cidadãos.

Segundo estes, o concurso para o Sistema de Mobilidade, o “tal sistema monopolista que põe na mão de um privado o estacionamento, as bicicletas, trotinetes, elevadores e publicidade”, prevê zonas de estacionamento tarifado na via pública num número não inferior a mil lugares. “A Câmara vai mais além e queria criar 1206 lugares pagos e isto sem contar com os silos da estação, do Sporting e da Praça do Município” acusa a oposição, que identifica 870 lugares na Mateus Fernandes, no Jardim do Lago, ANIL, Jardim das Artes e zona do Serra Shopping, 188 lugares na envolvente ao Tribunal e zona da Estação, e mais 148 na Avenida Frei Heitor Pinto, Jardim Público e avenida da Universidade. “Muito provavelmente reside aqui também uma das explicações para o corte das arvores da Avenida Frei Heitor Pinto” acusam os vereadores.

Citando as receitas da concessionária e despesas da autarquia, os vereadores dizem que se constata que “as receitas são da empresa, os encargos da Câmara”. E afirmam que havendo “isenção para a primeira viatura dos residentes, apenas na zona da sua residência, significa que todos os covilhanenses vão ter que pagar para viver na Covilhã, vão ter que pagar para ir trabalhar, para ir á piscina ou apenas para ir buscar alguém à central de camionagem.”

“É uma decisão intolerável, inqualificável, abusiva e altamente lesiva dos direitos dos covilhanenses.  Numa altura que todos os municípios tentam criar condições para ajudar as

famílias, na Covilhã vamos obrigar as pessoas a pagar para aqui viver” acusam.

“Má gestão e falta de rumo”

Pedro Farromba, Marta Alçada e Ricardo Silva recordam que em cada reunião de Câmara onde, “seja de que forma for, se tenha falado deste assunto, votámos sempre contra” e que alertaram diversas vezes sobre “aquilo que poderia acontecer se este contrato fosse em frente.”. Os vereadores acusam ainda maioria socialista de “má gestão”, de “falta de rumo, visão e estratégia”, e de “hipotecar” o futuro da cidade. E apelam à população que se “manifeste contra este contrato, que mostre a sua indignação.  Se nada fizermos todos juntos, vamos, durante os próximos 10 anos ser sujeitos a mais este imposto às nossas vidas, ao nosso trabalho. Que futuro terá a nossa cidade com tamanha incompetência de quem a dirige?” perguntam.

“Não vão ser logo todos os locais taxados”,

Recorde-se que, como foi anunciado em reuniões públicas do executivo, a concessão da Movi Covilhã terá uma duração de dez anos, durante o qual o município pagará 9 milhões e 170 mil euros, mais o Imposto de Valor Acrescentado (IVA). A futura concessionária do Sistema de Mobilidade vai gerir mil lugares de estacionamento pagos, 700 nos silos-auto do Pelourinho, do Sporting da Covilhã e da Estação, e 300 à superfície, mais cem dos que existem actualmente taxados. Uma das alterações passa a ser o estacionamento pago na zona de expansão da cidade, ao invés de ser apenas no centro. A autarquia fica com a prerrogativa de a qualquer momento reajustar a localização dos lugares taxados. Ou seja, não têm de ser fixos durante todo o período da concessão, explicou o presidente, Vítor Pereira.

Lembre-se que na última reunião do executivo, na passada sexta-feira, o autarca anunciou que o estacionamento continua gratuito até Abril, apesar da Movi Covilhã começar a operar já no próximo mês. Segundo o autarca, a concessionária está a trabalhar na articulação do Sistema de Mobilidade, “que é complexo”. A Movi Covilhã, do grupo Transdev, vai ainda substituir os parquímetros e está a desenvolver uma aplicação através da qual se pode fazer o pagamento, assim como a dar formação aos funcionários responsáveis pela fiscalização.

Vítor Pereira acrescentou não estarem ainda fixados os sítios pagos à superfície e mencionou a intenção de as tarifas começarem a ser cobradas “por fases”. “Não vão ser logo todos os locais taxados”, clarificou. O presidente da Câmara da Covilhã acrescentou estarem a ser revistas, “com os contributos técnicos” da empresa, as zonas à superfície inicialmente anunciadas.

“A realidade e a vida são dinâmicas. Ao longo da concessão far-se-ão ajustamentos e, por isso, queremos ser flexíveis nas zonas, para que depois se possam fazer estes ajustamentos”, acentuou o edil. Na opinião de Vítor Pereira, “a taxação, desde que bem feita e nos sítios adequados, é positiva para toda a gente”, dando o exemplo dos carros que ficam um dia inteiro estacionados junto a um serviço público, impedindo quem precisa recorrer a esses serviços. O autarca admite “haver uma flexibilidade” na suspensão do pagamento em quadras específicas, como tem acontecido nos últimos anos no Natal, mas realçou que “os entendidos neste domínio são unânimes em dizer que a taxação é amiga de quem quer estacionar”.

O estacionamento tarifado na cidade vai contemplar uma primeira meia-hora gratuita.

 

 

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