A presidente da Empresa Municipal de Belmonte (EMPDS), que organizou, com a Câmara, a 21ª edição da Belmonte Medieval, acredita que milhares de pessoas passaram pelo certame durante os três dias (entre sexta-feira e domingo), e faz um balanço favorável do evento.
“O balanço, por parte da organização, é positivo. Tivemos algumas situações que tivemos que contornar. Diariamente, no castelo, que foi a única referência que tivemos para contabilizar, entraram cerca de mil pessoas, para assistir aos espetáculos que realizámos entre as 8 e a meia-noite. Foram milhares de pessoas a visitar-nos. Também vendemos muitos copos, cerca de mil por dia. Mas há muita gente a circular. Acredito que foram milhares. A feira esteve muito harmoniosa, os expositores em geral, estão satisfeitos”, disse ao NC Susana Miranda, a nova responsável da EMPDS.
Este ano, estava anunciada a redução de custos. O presidente da autarquia, António Luís Beites, tinha apontado para um investimento que seria cerca de metade do ano anterior (em que foram gastos mais de 100 mil euros), mas confidenciou ao NC que alguns custos inesperados levaram a aumentar um pouco mais a fasquia dos 50 mil euros. Mesmo em contenção orçamental, a feira teve grande adesão, em especial no sábado, mas na sexta-feira, dia de abertura (e que costuma ser mais fraco), a moldura humana foi também considerável. Expositores, foram menos que no ano passado, mas mesmo assim houve sempre muita gente pelas ruas do Centro Histórico.
“Tivemos menos 10 a 15 expositores, reduzimos o perímetro da feira, mas acho que as pessoas estão satisfeitas. Há sempre algumas arrestas a limar. Melhorar algumas questões de segurança, animação em determinadas zonas, mas foi o possível, e demos o nosso melhor. Percebemos que temos mais gente no evento, face ao não pagamento de entrada. Há muito tempo que não tínhamos uma sexta-feira tão forte, talvez pelo facto da entrada não ser paga, e esperamos manter a entrada livre para trazermos ainda mais visitantes”, salienta Susana Miranda, que defende a continuidade de um evento que “traz milhares de pessoas a Belmonte”.
Entre os feirantes, opinião unânime: mais gente, bom negócio, mas ainda algumas coisas a rever, nomeadamente a utilização de copos de plástico por parte de alguns, e mais animação em determinados locais. “Ao nível da afluência, penso que teve mais gente que no ano passado. Em termos de negócio, foi bom, ao mesmo nível que no ano anterior”, afirma Vítor Durão, que pelo terceiro ano consecutivo teve aberta a barraca da Viagem no Tempo. No futuro, pondera continuar a participar, mas aconselha a algumas melhorias, como a instalação de mais caixotes do lixo e WC’s.
António vende cervejas artesanais e hidromel na feira há cerca de sete anos. E garante que deixa de participar noutros certames para estar em Belmonte. “Eu faço Silves, Óbidos, Chaves, Castro Marim, Barcelos… faço imensas feiras. Mas gosto de vir aqui. Esta feira é espetacular. E tem todo o potencial para crescer”, acredita. De negativo, salienta a presença de feirantes que ainda usam copos de plástico, e não concorda que se possa vender bebida em latas. “Isso tem que ser revisto. Se querem ser medievais, o copo de barro, muito bem, que andaram a vender, ou, no máximo, papel. O resto, não”, salienta. “As pessoas já sabem a data e adoram vir. Juntam-se cá. Há sempre imensos emigrantes, e este ano, até tendo baixado o orçamento, acho que correu muitíssimo bem”, aponta.
José Manuel Nunes, médico veterinário, e o maior produtor de vaca jarmelista nacional, uma espécie típica do distrito da Guarda, trouxe os sabores desta carne de vitela até à feira, onde já tinha estado há cerca de oito anos atrás. Na Banca da Carne Jarmelista, o negócio correu muito bem, e no primeiro dia, o pão chegou mesmo a faltar, para fazer os seus “pregos”. “Correu muito bem, mas há coisas a melhorar, sobretudo para quem vem trazer os seus produtos”, afirma, apontando a que a autarquia aposte em espaços de trabalho (barracas) melhores, e aquisição de material de mais qualidade.
