Bombeiros: apelos à união no primeiro dia do novo comandante

Armando Maria tomou posse ontem à frente da corporação da Covilhã. E garantiu que será elo de ligação para um trabalho em equipa, sem distinção de fardas

“Só todos juntos poderemos ter êxito”. Foi com apelos à união que tomou posse ontem, segunda-feira, 20, o novo comandante da Associação Humanitária dos Bombeiros da Covilhã (AHBC), Armando Maria, nome escolhido pela direção há já algumas semanas, mas apenas agora oficializado.

O novo líder da corporação lembrou o seu percurso enquanto bombeiro, desde criança até hoje, e num momento em que muito se tem falado de falta de diálogo na instituição, apelou ao mesmo para se quebrarem barreiras e se realizar um trabalho válido e eficiente. Prometendo exigência, trabalho e competência, e descartando qualquer tipo de discriminação face a relações pessoais de amizade no seio do corpo ativo, Armando Maria mostrou-se “convicto de que o caminho se faz em conjunto”. “Não faço distinção entre fardas. Todas as forças têm que estar interligadas. O socorro das populações exige trabalho em rede. Vocês (bombeiros) são a alma desta casa. Ser comandante é servir quem serve”, disse Armando Maria, prometendo um “novo ciclo” em que todos estarão, “sem exceção”. “A lealdade, a disciplina e a liderança serão baseadas no tratamento igualitário, onde todos os elementos, sejam profissionais ou voluntários, são valorizados pelo seu mérito, pela sua dedicação e competência e nunca por afinidades pessoais ou preferências individuais”, assegurou.

“Quero contar com todos. Quero que seja uma missão partilhada e com espírito de ação” disse o novo líder do corpo ativo, que desde os 9 anos sonhava ser bombeiro, o que conseguiu aos 14, mesmo contra a vontade do pai, e que está há já há três décadas na área. “Há 34 anos nunca pensei em chegar a este posto. Assumo com espírito de missão, pois esta farda não é apenas um uniforme, mas um símbolo de dedicação, de coragem e de um compromisso inabalável com a salvaguarda de vidas e de bens”, disse.

Lembrando o seu percurso desde miúdo, em que com os mais velhos, a maioria já desaparecidos, no quartel da Covilhã aprendeu os valores da missão de ser bombeiro, Armando Maria recordou o seu trajeto desde voluntário a profissional, sendo formador da Escola Nacional de Bombeiros, e desde 2009, membro da Força Especial de Bombeiros, os chamados “Canarinhos”, atual Força Especial de Proteção Civil, onde desempenha funções na Unidade de Intervenção Especial de Resgate em Montanha. Mas garantiu que no terreno, as fardas não contarão e todos serão tratados de igual forma.

Um apelo à convergência também feito pelo presidente da direção, Joaquim Matias, muito contestado por alguns bombeiros que o acusam de falta de diálogo. O líder diretivo apelou à união. “Não se vão arrepender por estarmos todos a olhar no mesmo sentido. Ficarei muito grato pelo vosso compromisso. Sem bombeiros e bombeiras não haverá Associação Humanitária”, disse Matias. “A união faz a força e precisamos de todos. Os que gostam, e os que não gostam”, reconheceu.

Sobre a tomada de posse de Armando Maria, Joaquim Matias afirma que esta simboliza “o reconhecimento de um percurso construído com dedicação, competência e espírito de missão e um inabalável compromisso com a causa dos bombeiros e com a proteção da nossa comunidade”. Destacando o percurso do novo comandante, considerou que Armando Maria é “um homem de valores, um ser humano íntegro, leal, disciplinado e profundamente comprometido com o serviço aos outros”, características que, na sua opinião, serão determinantes para o futuro da corporação. “Creio que não me vou enganar ao afirmar que o Armando Proença Maria é e será um comandante de excelência”, disse, acreditando que o novo comandante será também o garante da “estabilidade”.

 

 

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