Estava abandonada há já alguns anos. Foi um posto público de telefone, ainda com a antiga Portugal Telecom (PT), era cinzenta, depois passou a ser vermelha, mas aos poucos deixou de ter uso e o telefone acabou por ir embora. Ficou, ali, junto ao jardim público, a degradar-se. Mas no passado domingo, 30, ganhou nova vida ao ser transformada na “cabine das histórias”.
A Associação Belmonte em Movimento (ABM), num projeto conjunto com o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e Junta de Freguesia, requalificou, com o trabalho feito por jovens voluntários, a antiga cabine telefónica da vila, que foi transformada numa espécie de biblioteca de rua. “A ideia resultou de uma das cinco candidaturas que tivemos aprovadas, este ano, pelo IPDJ. Era um espaço que estava aqui sem utilidade nenhuma, e queremos dar-lhe uma nova vida, tendo em conta também os princípios da sustentabilidade e da reutilização, com o uso e partilha dos livros. Também queremos dar uma nova vida ao jardim, e por isso iremos também usar este espaço com a Hora do Conto, contribuindo também para a sua preservação”, afiança João Santos, presidente da ABM.
“Espero que as pessoas queiram preservar algo que é de todos”, deseja o líder associativo, lembrando que este é um espaço para “guardar e partilhar memórias” e a cabine passa a ser um local dedicado aos livros, à leitura e à partilha, em que cada pessoa poderá ler livros, devolver, levar ou doar obras literárias.
Para já, estão disponíveis entre 200 a 300 livros nas prateleiras da antiga cabine, fruto de cerca de 20 doações. Mas a ABM espera que mais gente se possa juntar, levando livros, mas também lendo e fazendo circular estas obras por diversas casas. João Santos espera que a ideia seja bem acolhida pela população de uma vila onde os casos de vandalismo gratuito são muitos, com destruição recorrente de espaços públicos. “Infelizmente, isso acontece, mas nós estaremos atentos, tal como a Junta e também a Câmara. Iremos dinamizar atividades, até aproveitando este coreto do jardim, que é único, de modo a que havendo uso se possa conservar este local”, assegura João Santos.
