Linha da Beira Baixa reabre na totalidade dia 20

Serviços Regionais e Intercidades são repostos em toda a extensão, segundo a CP

O comboio vai voltar a funcionar em toda a extensão da Linha da Beira Baixa este mês de setembro. A Infraestruturas de Portugal (IP) anunciou ontem a reabertura do troço entre as estações de Mouriscas- A e Vila Velha de Ródão no próximo dia 20 (um domingo), que tem estado encerrado desde 11 de fevereiro, na sequência da tempestade “Kristin”, que levou ao deslizamento de terras num talude de aterro. Assim, voltarão a circular comboios de mercadorias, e os de passageiros, a cargo da CP, em toda a extensão.

“Com esta reabertura, serão repostos os serviços Regionais e Intercidades, em toda a extensão da Linha da Beira Baixa, sendo igualmente reforçada a capacidade da rede ferroviária nacional garantindo a redundância com a Linha da Beira Alta para o transporte ferroviário internacional de mercadorias” salienta a IP. Que adianta que a recuperação da infraestrutura representou um investimento global de 3,4 milhões de euros. “A intervenção foi necessária na sequência de dois deslizamentos de terras, entre os quilómetros 39,150 e 39,270, que provocaram instabilidade na plataforma ferroviária e obrigaram à suspensão da circulação” explica.

Em comunicado, a empresa recorda que a intervenção decorreu em condições particularmente exigentes, devido ao acesso limitado ao local, à instabilidade da plataforma ferroviária, ao reduzido espaço disponível para a movimentação de equipamentos e às dificuldades no transporte de materiais, agravadas pelas elevadas temperaturas registadas durante a execução dos trabalhos. Os trabalhos incluíram a estabilização dos taludes, com a aplicação de cerca de 5 500 m³ de enrocamento, a construção de duas estruturas em betão armado fundadas em microestacas para reforço da plataforma ferroviária e de uma viga de coroamento intermédia, entre as duas estruturas, bem como a reabilitação e melhoria do sistema de drenagem, incluindo passagens hidráulicas. Foi ainda realizada a reposição integral da via-férrea, das telecomunicações, dos sistemas de terras e das restantes infraestruturas ferroviárias afetadas.

“A intervenção permitiu também reforçar as condições de segurança da infraestrutura, através do reforço estrutural da plataforma com fundações profundas, da melhoria da drenagem superficial e das passagens hidráulicas e da instalação de instrumentação geotécnica para monitorização da plataforma e das estruturas de reforço”, garante a IP.

“Essencial para as populações”

Paulo Carmona, presidente da Infraestruturas de Portugal, citado no documento, afirma que esta reabertura representa “muito mais do que a conclusão de uma obra”, mas o regresso de “uma ligação ferroviária essencial para as populações, depois da interrupção provocada pelas intempéries”.

O responsável assegura que, desde o primeiro momento, “a prioridade da Infraestruturas de Portugal foi recuperar a infraestrutura com segurança e fazê-lo o mais rapidamente possível”, realçando a intervenção exigente, “realizada em condições particularmente complexas, mas que permitiu não só repor a circulação como reforçar a infraestrutura e melhorar as suas condições de segurança e resiliência”.

“Sabemos o impacto que uma interrupção desta natureza tem no dia a dia de quem vive, trabalha e se desloca nesta região. É por isso que, para além da recuperação da infraestrutura, o nosso objetivo foi devolver às populações, com segurança, uma ligação ferroviária essencial. É esse o sentido do nosso trabalho: estar no terreno, resolver e concretizar, sempre com as pessoas no centro das nossas decisões”, resume Paulo Carmona.

CP garante reposiçã

Pedro Moreira, presidente da CP – Comboios de Portugal, salienta no mesmo documento que “a reposição da circulação na Linha da Beira Baixa permite voltar a assegurar um serviço ferroviário essencial para a mobilidade das populações e para a ligação entre territórios”. “Esta reabertura significa o regresso de um serviço que faz parte do quotidiano de muitas pessoas, pelo que é com satisfação que a CP volta a assegurar a oferta comercial nesta linha, reforçando o compromisso desta empresa em proporcionar deslocações acessíveis e sustentáveis”, afirma.

Depois do deslizamento de terras, a IP apontou inicialmente setembro para a reposição integral da Linha, mas em Coimbra, algum tempo depois, Miguel Cruz, o então presidente da IP (Paulo Carmonsa assumiu o cargo em junho) apontou apenas o final do ano para que os trabalhos estivessem concluídos. Miguel Cruz lembrava a dificuldade da reparação, face à “complexidade da localização, muito junto ao rio”, mas garantia que a IP estava a “pressionar para que o projeto e a intervenção possam ser rápidos.”

Nos últimos meses, a CP tem assegurado o transbordo rodoviário para fazer face à falta de comboio em alguns troços, e na Linha da Beira Baixa o número de composições acabou por baixar, com supressão de alguns comboios regionais e Intercidades, que estarão agora de volta.

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