O projeto da megacentral solar Sophia, reformulado, “não resolve as graves incorreções e vícios da proposta original, limitando-se a reorganizações cosméticas que procuram contornar a rejeição das autarquias, das populações locais e das próprias entidades publicas como a APA e o ICNF.” É esta a posição do movimento Cidadãos pela Beira Baixa, que em comunicado recorda que termina na próxima quarta-feira, 21, a consulta pública deste reformulado projeto.
Segundo o movimento, o promotor, a multinacional britânica Lihgtsource BP, ao “não abdicar da estrutura conceptual do projeto global inicial, focado numa grande central solar e numa linha de média e alta tensão no território, deixa claro que, através de posteriores redimensionamentos sem o escrutínio das populações e das Instituições publicas locais, regionais e nacionais, não desiste da sua implementação futura, o que configura a sonegação de informação relevante relativa à verdadeira dimensão que pretende para o projeto Sophia.” Os Cidadãos pela Beira Baixa acusam que se mantêm “inalterados, se não mesmo agravados, os impactes cumulativos significativos sobre a paisagem, a fauna, o território e as populações, já anteriormente assinalados durante a Consulta Publica do Projeto inicial, e de que resultarão fortes e duradouros impactos para o território e as gerações futuras.”
Adiantam ainda que a conversão de um mosaico agroflorestal numa matriz industrial “afeta a identidade visual da região a partir de pontos altos e itinerários turísticos estratégicos.” E que esta “degradação da qualidade paisagística e da atração turística do território, compromete estratégias em curso de desenvolvimento sustentável do território (já traduzida na ligeira recuperação da população de Idanha-a-Nova e Penamacor), o retorno dos investimentos privados já realizados em turismo natureza, agroturismo e Alojamento Local e, transfere os prejuízos da perda de procura turística para os operadores privados e demais instituições envolvidas na promoção e valorização sustentada do território.”
O movimento volta a manifestar a sua “profunda discordância” ao projeto Sophia, mesmo a este, reformulado, e congratula-se com a posição “de firme oposição que vem sendo assumida pelos municípios do Fundão, Castelo Branco, Penamacor e Idanha-a-Nova em relação aos megaprojetos solares”.