Covilhã ajuda Olivier a cumprir a promessa

Comentador da Eurosport prometeu subir à Torre, de bicicleta, ao perder uma aposta. Autarquia covilhanense aproveitou a ideia para lançar um festival de cicloturismo na Serra da Estrela

Em julho de 2025, altura em que decorre habitualmente o Tour de France (Volta à França em bicicleta), o jornalista e comentador da Eurosport Olivier Bonamici, de origem francesa mas radicado em Portugal há 30 anos, apostou com outros dois comentadores do canal desportivo, Paulo Martins, e José Azevedo, ex-ciclista (um dos melhores de sempre nacionais), que se o ciclista belga Remco Evenepoel não ganhasse aquela que é considerada a melhor prova de ciclismo do mundo, subiria, ele próprio, de bicicleta, à Torre. Remco até andou bem nos primeiros dias, mas acabou por desistir, e o “Tour” foi ganho pelo inevitável esloveno Tadej Pogacar. Agora, Olivier está perto de cumprir a promessa, já que a Câmara da Covilhã pegou na ideia para promover a primeira edição do “19993- Festival de Cicloturismo da Serra da Estrela”, que decorrerá entre 18 e 20 de setembro, e que no dia 19 inclui o “À conquista da Torre”, a subida ao ponto mais alto de Portugal Continental. O evento foi apresentado ontem, segunda-feira, 15, em frente aos Paços do Concelho.

“É uma loucura saudável. Apostei no Remco, mas na altura eu pesava 123 quilos. Era obeso, mas ninguém me o dizia. Esta foi também uma oportunidade de tratar de mim”, conta Olivier, que entretanto já perdeu 31 quilos, “algo surreal”. O comentador reconhece que não é um “craque” das bicicletas, mas garante que vai treinar para conseguir pagar a promessa.  “Ainda falta a parte mais surreal. Não sei se vou conseguir. Mas vou, nem que seja a pé ou de joelhos”, garantiu, salientando o apoio da autarquia para o ajudar a cumprir a promessa que fez. “Ia desistir, mas recebi a chamada do presidente da Câmara da Covilhã a dizer que aceitavam o desafio. É muito importante para mim. Espero que se torne algo parecido à Rampa de Santo António, em Lisboa, que tem um cariz muito popular. A Covilhã tem tudo para ser a capital do ciclismo em Portugal”, garante o jornalista de ascendência italiana, de 54 anos.

Hélio Fazendeiro, presidente da Câmara da Covilhã, afirma que o que se pretende é não só aliar a prática desportiva à promoção do território, da natureza e ambiente, como também retirar a ideia de que só consegue subir à Torre, de bicicleta, quem é profissional. E promover também “a principal porta de entrada para a Serra da Estrela, que é a Covilhã, um concelho que promove hábitos de vida saudáveis e a prática desportiva.” Sem componente competitiva, a subida à Torre, a partir do Complexo Desportivo, terá inscrições a partir de 1 de julho, num site criado para o efeito, e terá limitação de inscrições, que custam dez euros e incluem o seguro, jersey, bifana e bebidas. “Talvez tenhamos que por limite, pois só o Olivier já tem mais de nove mil apoiantes na sua página”, conta o autarca, sobre a subida de 25 quilómetros e com um acumulado de inclinação de 1600 metros.

O “À conquista da Torre” estará, porém, integrado num festival de três dias que terá carácter anual e que, mesmo antes da aposta de Olivier, já estava a ser pensado, segundo Hélio Fazendeiro. O que se pretende é uma grande celebração do cicloturismo, com um programa repleto de atividades como exposições, palestras, stands institucionais e promocionais, bem como animação, música e dj’s. “O evento vai decorrer durante três dia, onde vão ser três dias de festa, animação e muita promoção de hábitos de vida saudáveis e ligados à natureza” garante o autarca covilhanense, que viu na aposta de Oliver Bonamici uma ideia que podia ser trabalhada no sentido de alavancar um conceito que já estava a ser delineado.

Hélio Fazendeiro espera uma forte adesão, pois lembra que este é um evento que se destina a qualquer público, e não especificamente a atletas. “Não estamos a desenhar um evento exclusivamente para desportistas. Está aberto a todos os participantes, nacionais ou estrangeiros, a todas as pessoas que queiram desfrutar daquilo que é a Serra da Estrela, dos seus desafios, da sua beleza e do seu encanto”, afirma.

Luís Marques, vereador com a pasta do desporto na Câmara da Covilhã, lembra que todos os anos as principais equipas de ciclismo nacional procuram a cidade para fazer estágios em altitude, de modo a prepararem a Volta a Portugal em bicicleta, que normalmente decorre em agosto. E por isso, o cicloturismo faz sentido como aposta do município. “É uma modalidade interessante, e que está muito ligada ao ciclismo, em que o desafio é superar-se a si próprio”, salienta.

A iniciativa tem organização do Município da Covilhã e já conta com entidades parceiras como a “Glow (produção), a BikePlanet (apoio) e Renascença (media partner).

 

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