“O estudo permite ter esperança no futuro. Desde 1960 que perdemos mais de 25 mil pessoas. Esta é a maior subida populacional desde a década de 30”. Foi assim que João Flores Casteleiro, eleito do PS na assembleia municipal da Covilhã, justificou a apresentação de uma proposta de congratulação apresentada esta manhã de segunda-feira, 29, pelo partido, “Pelo aumento da população do concelho da Covilhã nos últimos quatro anos”, que foi aprovada por maioria, com o voto contra do Chega.
O eleito socialista frisou que os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que revelam um aumento populacional muito significativo no País, região, distrito e concelho da Covilhã, contraria o cenário de declínio nas últimas décadas é um sinal de esperança no futuro. Segundo os dados, a Covilhã ganhou 3460 novos habitantes nos últimos quatro anos (2021-2025). Os dados apontam para um enorme crescimento populacional em Portugal nos últimos anos, residindo agora em território nacional 11 milhões, 424 mil e 31 pessoas, mais 824 mil 914 que em 2021. “São mais 3460 pessoas, depois de, desde 1960, perdermos população. Mais de 25 mil pessoas em 60 anos. Temos que esperar para ver se é uma situação pontual, ou não, mas estes dados dão algum alento” salientou.
Nuno Pais, do PSD, afirmou que se notam os efeitos da governação do seu partido no País desde 2024, o que motivou risos entre os diferentes eleitos.
Já pelo Chega, que votou contra, Amadeu Alberto, justificou o voto desfavorável por, apesar de haver aumento populacional, este não ser devido a uma maior taxa de nascimentos no País, mas sim fruto do fluxo migratório. “O saldo natural continua a ser negativo em Portugal. Cresce-se devido ao fluxo migratório e população estrangeira. A crise demográfica não está resolvida”, disse.
Segundo o INE, a 31 de dezembro do ano passado, havia quase 11 milhões e meio de pessoas residentes em Portugal, quando no ano anterior não se chegava sequer aos 11 milhões. No distrito, há quatro anos residiam 178 mil 219 pessoas, número que aumentou para os 189 mil e 90, mais 10 mil 871 habitantes, com crescimento em todos os 11 concelhos, com particular incidência nos principais núcleos urbanos: Castelo Branco, Covilhã e Fundão. Estes três concelhos são responsáveis por mais de 80 por centro do crescimento verificado neste período.
Na Covilhã, passou-se de 47.585 mil habitantes para 51.045 (mais 3460), com aumento em todas as faixas etárias, em especial entre os 25 e 64 anos. Já no concelho de Castelo Branco, o aumento foi de 54.146 para 58.197 habitantes, mais 4051 residentes. O Fundão registou igualmente um crescimento significativo, passando de 26.229 para 27.754 habitantes (+1.525).
Entre os restantes concelhos, Belmonte aumentou a sua população em 155 habitantes, Idanha-a-Nova cresceu 204 habitantes, Oleiros somou mais 67 residentes, Penamacor registou uma subida de 37 pessoas, Proença-a-Nova aumentou 74 habitantes, Sertã somou 798 residentes, enquanto Vila de Rei ganhou 171 pessoas e Vila Velha de Ródão registou uma subida de 329.
Os dados revelam ainda tendências distintas na estrutura etária dos concelhos. Enquanto municípios como Castelo Branco, Covilhã, Fundão, Sertã e Vila Velha de Ródão cresceram em todas as faixas etárias, outros, como Idanha-a-Nova e Penamacor, tiveram uma redução da população idosa (-102 e -58, respetivamente). Idanha-a-Nova teve um crescimento da população nas restantes faixas etárias e Penamacor apenas reduziu o número de habitantes do grupo que compreende idades entre os 15 e os 24 anos.
Segundo o INE. população residente de nacionalidade estrangeira, em 31 de dezembro de 2025, foi estimada em 1 597 539 pessoas, representando 14,0% do total da população residente. Entre 2021 e 2025, os residentes estrangeiros mais do que duplicaram, correspondendo a um aumento de 849 384 pessoas (mais 6,9 pontos percentuais). Os aumentos mais expressivos ocorreram nos anos de 2022, 2023 e 2024. O Brasil foi o País que mais gente trouxe a Portugal, duplicando números nos últimos quatro anos, passando de 278 mil residentes para cerca de 574 mil. Angola (103 mil pessoas), Índia (93 mil), Cabo Verde (76 mil) e Nepal (56 mi,) são os países que se seguem.
