A Covilhã espera do Governo decisões e financiamento para três projetos que considera estruturantes para o seu futuro: o Itinerário Complementar (IC6), a barragem das Cortes e a nova área empresarial e tecnológica, de dimensão regional. Foram estas as prioridades apontadas ontem de manhã, 20 de outubro, Dia da Cidade, pelo presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, na assembleia municipal comemorativa dos 156 anos de elevação da Covilhã a Cidade, que decorreu no Salão Nobre da autarquia.
O autarca covilhanense garante que no que diz respeito a estes projetos o município “está a fazer a sua parte”, preparando o território para captar investimento, emprego e fixar população, mas que necessita do Governo “compromisso e investimento” para os levar a bom porto. Hélio Fazendeiro apelou à união de todos para “construir” uma cidade com história à qual pretende “acrescentar futuro”. E pediu ao governo financiamento, decisões e calendários concretos para obras que, considera, terão um impacto que ultrapassa as fronteiras do concelho.
O autarca, num balanço ao primeiro ano de mandato, disse que o município preparou e submetei candidaturas que representa mais de 17 milhões de euros de potencial investimento, em áreas como a mobilidade, inclusão, regeneração urbana ou educação, entre outras, garantiu haver projetos, respostas, decisões e um rumo para o concelho, destacando intervenções já feitas, por exemplo, na rede viária (mais de dois milhões para requalificações), embora considere impossível acudir a todas as necessidades “num único ano ou mesmo num único mandato”.
A modernização da iluminação pública, a iniciar ainda em 2026, a colaboração com as diversas freguesias do concelho, o trabalho já feito na habitação social, as intervenções em escolas, ou centros e extensões de saúde, as obras feitas no desporto (estádio do Teixoso, Piscina dos Penedos Altos, etc), entre outros, foram outros dos eixos lembrados por Hélio Fazendeiro, que apontou, para o segundo ano de mandato, o reforço na concretização de projetos em curso e a resolução de alguns dos problemas identificados no concelho. O autarca garante que não faltará trabalho, nem “exigência e determinação” para defender os interesses da Covilhã.
Por parte das diversas forças políticas com assento na assembleia municipal, houve opiniões diferentes, como é hábito, entre os problemas identificados e por resolver, e o que já terá sido feito.
O PCP, pela voz de Rita Videira, recordou, entre outros aspetos, os problemas nos transportes públicos, alertando para as diferenças de preços entre a cidade e as freguesias rurais, considerando “inadmissível e socialmente insustentável” que os passes custem 38 euros na Grande Covilhã e mais de 100 euros nas freguesias rurais.
Amadeu Alberto, do Chega, apelou à criação de emprego, habitação e qualidade nos serviços públicos, de modo se poderem dar “razões para ficar” aos jovens.
Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, centrou a intervenção no potencial da candidatura da Covilhã a Capital Portuguesa da Cultura, defendendo, entre outras, a ideia de transformar a cidade no “maior museu de arte urbana ao ar livre do mundo”, ou o potenciar da marca “Made in Covilhã”.
Ana Branco, do Movimento Independente Pelas Pessoas (MIPP), defendeu a valorização do rio Zêzere e das freguesias através do projeto Corredor Verde do Zêzere, já apresentado pelo partido, de modo a potenciar o turismo, lazer, desporto e ambiente. A eleita considerou que o projeto pode contribuir para dinamizar a economia local e promover o bem-estar da população, reforçando a atratividade do território.
Já o PSD, por João Morgado, defendeu uma visão estratégica de longo prazo para o concelho, que estabeleça prioridades para as próximas décadas. E desafiou o executivo a apresentar, até 2027, essa estratégia, com prioridades, meios e metas para uma Covilhã em 2056.
João Cristóvão, do PS, destacou as medidas municipais dirigidas aos jovens, nomeadamente os espaços de acesso gratuito, os descontos no Teatro Municipal, os incentivos fiscais à aquisição da primeira habitação e a criação de um orçamento participativo jovem. O eleito defendeu ainda que a Covilhã deve assumir um papel de liderança regional, promovendo a cooperação entre municípios para criar um território com melhores condições de vida.
Quanto ao presidente da assembleia, João Casteleiro, centrou a sua intervenção no envelhecimento da população, o isolamento e na necessidade de se garantirem cuidados de saúde acessíveis, proteção social e dignidade para os mais velhos, apelando à união de todos para a construção de uma Covilhã melhor.
FOTO: CMC