Crise da água ultrapassada em Manteigas

Risco de falhas está resolvido, mas autarquia apela ao uso consciente da água

A possível falta de água, em Manteigas, é um cenário que, por agora, está descartado. Pelo menos, é essa a convicção do presidente da Câmara, Flávio Massano.

Depois de, a 28 de julho, a autarquia ter anunciado a interrupção do abastecimento de água à população, em alguns locais, entre as 22 horas e as 6 da manhã (que segundo a Câmara acabou por não ser necessária), o serviço voltou à normalidade esta semana, e, na segunda-feira, 3, o presidente da Câmara, Flávio Massano, na reunião pública do executivo, afastou a hipótese de risco de falhas no sistema, após a rápida descida do nível do reservatório da Carvalheira (principal abastecedor da vila). Segundo o autarca, a situação encontra-se estabilizada, na sequência da reparação de duas roturas na rede e após a redução do consumo por parte da população. No entanto, o autarca alertou que se continua a exigir uma utilização consciente da água no concelho.

Massano explicou que o município foi alertado pelas Águas do Vale do Tejo para uma descida anormal do nível do reservatório da Carvalheira, que passou de 36% para apenas 12% em poucas horas, chegando mesmo aos 0% durante o desenrolar da situação. O município ativou então o plano de crise, face ao risco de não conseguir abastecer a população, numa altura de maior afluência de visitantes e temperaturas elevadas. O autarca explicou que já havia suspeitas de perdas grandes na rede em baixa do abastecimento de água, mas que logo na primeira noite de trabalhos, as equipas da APAL, dos serviços municipais e das Águas do Vale do Tejo localizaram e repararam duas roturas na rede.

Segundo o autarca, uma das fugas mais significativas foi encontrada no Bairro do Outeiro, onde a água escapava de uma conduta subterrânea, infiltrava-se numa caixa de gás e seguia diretamente para a rede de águas pluviais, tornando praticamente impossível a sua deteção à superfície. Após a reparação das duas roturas, as perdas reduziram-se para valores residuais e o reservatório começou a recuperar gradualmente.

O reservatório da Carvalheira encontra-se agora, segundo Massano, com cerca de 95% da capacidade, armazenando aproximadamente 750 mil litros de água, aos quais se juntam cerca de 300 mil litros no reservatório do Picoto. Para o autarca, tudo aponta para que o principal problema tenha mesmo sido esta fuga de dimensão significativa, conjugada com o aumento do consumo típico desta época do ano. “O maior problema era efetivamente esta rotura junto ao Bairro do Outeiro, com cinco a seis mil litros de água que perdia por hora, ligada a um aumento do consumo de água nesta altura”, disse o presidente da Câmara, que enalteceu a população por ter, voluntariamente, reduzido consumos, o que evitou cortes generalizados de água.

No entanto, o autarca serrano apela a uma atitude responsável nos próximos tempos. Segundo Massano, o sistema continua vulnerável se surgirem novas fugas ou os consumos excessivos aumentem exponencialmente. “Não há neste momento o problema de água em Manteigas. Temos a situação estancada”, afirmou, apelando a um consumo apenas tendo em conta o estritamente necessário. Se, tendo em conta a vigilância que a Câmara fará, houver descidas abruptas no nível do reservatório, o autarca não descarta novas restrições temporárias no abastecimento para salvaguardar o fornecimento à população.

VER MAIS

EDIÇÕES IMPRESSAS

PONTOS
DE DISTRIBUIÇÃO

Copyright © 2026 Notícias da Covilhã