Freguesias querem mais médicos

Moção pede reforço de serviços de proximidade no concelho da Covilhã

As juntas de freguesia do concelho da Covilhã pretendem que os serviços de saúde de proximidade sejam reforçados, com mais meios humanos, nomeadamente médicos e enfermeiros, nas extensões de saúde. Em suma, é esta a reivindicação de uma moção que foi apresentada na passada segunda-feira, 29, pelos 25 presidentes de junta, na assembleia municipal, e que foi aprovada por unanimidade.

Pedro Silveiro, presidente da Junta de Peraboa, que foi o porta-voz dos autarcas, alertou para a falta de profissionais de saúde em várias extensões (o concelho dispõe de 25), em especial nas aldeias, e denunciou que destas, há três sem médico há cerca de quatro meses e uma a funcionar sem enfermeiro. Os autarcas criticaram a estratégia seguida pela Unidade Local de Saúde (ULS) da Cova da Beira, “focada em números, e não nas pessoas”, com aposta em teleconsultas, e com uma “tentativa de transmissão de competências para as juntas de freguesia”, ao sugerir que os presidentes de junta assegurem o acompanhamento dos utentes, competência que os autarcas consideram não lhes caber. Os autarcas criticam o enfraquecimento das extensões de saúde e exigem uma estratégia clara para os cuidados de saúde de proximidade. Consideram ainda contraditório que estejam a ser realizados investimentos na requalificação de várias extensões de saúde, através do Plano de Recuperação e Resiliência, sem que exista um reforço dos recursos humanos.

Através da moção, os presidentes de junta instam a ULS Cova da Beira a repor “com urgência” o normal funcionamento das extensões de saúde com falta de médicos ou enfermeiros, garantir que os cuidados de proximidade não são comprometidos, corrigir quaisquer limitações à inscrição de utentes nas extensões do concelho e, em conjunto com a Câmara Municipal, definir uma estratégia de longo prazo assente na valorização de todas as extensões de saúde existentes.

Por parte das diversas bancadas com assento na assembleia, o voto da moção foi favorável. Pedro Bernardo, do PS, solidarizou-se com os autarcas considerando preocupantes os relatos de impedimentos na inscrição de utentes nas extensões de saúde. Pelo PSD, Nuno Pais justificou o voto favorável afirmando que “a defesa dos cuidados de saúde de proximidade deve estar acima de qualquer divergência política ou institucional”.  João Bernardo, do CDS-PP, considerou que o documento coloca “um objeto humano” acima da disputa política e apelou a uma maior intervenção do Conselho Municipal de Saúde na definição da estratégia para o concelho. Já Amadeu Alberto, do Chega, disse que “a saúde não pode depender do código postal”. Vítor Reis Silva, do PCP, disse que a reivindicação é justa e defendeu um maior investimento nos cuidados de saúde primários e no Serviço Nacional de Saúde, aplaudindo a união dos presidentes de junta nesta reivindicação. José Pascoa, do MIPP, alertou para os riscos de gerir a saúde “como se gere um supermercado”.

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