Metade da população de Belmonte sem médico de família

Câmara estuda, em conjunto com a ULS Cova da Beira, a hipótese de ter médicos em prestação de serviços, de forma externa ao SNS

Cerca de metade da população do concelho de Belmonte está sem médico de família, uma situação que se agravou este mês quando uma das duas médicas existentes no Centro de Saúde de Belmonte passou a estar a meio-tempo, após ter sido mãe. A situação despoletou protestos entre a população, e na passada sexta-feira, 23, o presidente da autarquia, António Luís Beites, anunciou na sessão pública do executivo que a Câmara, em conjunto com a ULS, está a trabalhar numa solução que passará pela prestação de serviços, de forma externa ao SNS, por médicos que venham ao concelho.

“Hoje, mais de metade das pessoas não têm médico de família no concelho. Não é fácil atrair médicos do SNS (Serviço Nacional de Saúde) para concelhos pequenos como Belmonte. Mas temos os mesmos direitos que quem mora no Norte do País ou no Litoral”, salienta o autarca. Em articulação com o SNS, a solução poderá passar pela contratação de médicos em prestação de serviço, fora do SNS, mas em colaboração com o mesmo, à semelhança do que acontece em Caria há já algum tempo. “Desenvolvemos diligências para encontrarmos uma solução. Não podemos ter um concelho como este, no Interior do País, com esta gravidade da maioria dos utentes não terem médico de família. Está a estudar-se uma solução que seja otimizada para todos os utentes do concelho, que todos possam ter aqui médico associado, sempre numa condição de regime de permanência, sempre que se justifique, em termos de consultas com os doentes e que pode passar pelo recurso a prestadores de serviços, médicos externos, porque há um défice na área da ULS. Estamos dentro do processo para sermos solução e colaborarmos com a ULS. Já tomámos decisões para isso na assembleia municipal de junho, o protocolo com a ULS para sermos parceiros nos cuidados de saúde primários” explica o autarca, com a “clara expetativa” de que neste mês de novembro se possa ter uma solução que crie condições “para que todos os utentes do concelho tenham um médico associado no Centro de Saúde de Belmonte.”

Ao NC, a ULS Cova da Beira reitera ter, junto da tutela, pedido um aumento do número de vagas para a contratação de especialistas em Medicina Geral e Familiar e, paralelamente, “está a desenvolver uma resposta complementar para Belmonte, que permitirá, muito em breve, atribuir a todos os utentes desta unidade um médico de referência. Esta solução será apresentada em conjunto com a Câmara Municipal de Belmonte, sendo os respetivos detalhes divulgados assim que estiver implementada.”

O autarca belmontense lembra que no Centro de Saúde de Belmonte havia apenas duas médicas, e pontualmente médicos da ULS que prestavam serviço. Em Caria, o atendimento já era feito parcialmente com prestação de serviço de um médico externo que vai especificamente, duas vezes por semana, ao centro de saúde da vila. “O que queremos agora é uma solução global que possa abranger os dois centros de saúde. Há uma comparticipação direta ao prestador, mas a solução global é para que passe apenas pela condição do alojamento. Um prestador que tenha carácter de presença regular” afirma o autarca. Que recorda que esses profissionais não residem no concelho, e que a autarquia pode ser parceira no alojamento para os próprios médicos. “É isso que está em cima da mesa, é o que temos já deliberado pela assembleia, e é isso que estamos a trabalhar com a ULS”, adianta.

A falta de médicos não é, porém, nada de novo. Embora se tenha acentuado agora.  “Mais de metade, com esta condição (uma médica a meio-tempo), ficaram sem médico de família. Mas muitos deles já não têm há muito tempo. Não é de agora. Temos a noção de quando falamos de pessoas de faixas etárias elevadas, e uma população envelhecida, é um constrangimento quando não têm médico de família”, reconhece o autarca.  Que vai mais longe ao recordar que o Centro de saúde de Belmonte “não tem uma condição diária, de permanência fixa, de médicos. Nem tão pouco ao fim-de-semana. Temos tido alguns em que nem no sábado, nem no domingo, temos médico em Belmonte. Também queremos o reforço disso”, afiança.

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