“Uma melhoria clara” em relação ao ano passado. É assim que a Universidade da Beira Interior (UBI) classifica os resultados da primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) de 2026, em que registou um aumento do número de colocados e uma taxa de ocupação superior ao ano anterior.
De acordo com os resultados divulgados no passado sábado, a UBI teve 1344 colocados, o que representa uma subida de 130 estudantes, face a 2025. Perante as 1.629 vagas disponibilizadas, a taxa de ocupação é de 82,5 por cento, mais 5,5 pontos percentuais do que os 77,0 por cento registados no ano anterior.
“O desempenho de 2026 aponta para uma recuperação positiva da procura pela Universidade, uma vez que o crescimento do número de colocados superou o aumento da oferta, que foi de 53 vagas” salienta a UBI em comunicado, onde aponta como principais sinais positivos a “procura consolidada em várias áreas de formação, que se traduziu no número de cursos que preencheram a totalidade dos lugares iniciais e que ascende a 17, que representam um valor próximo de 50 por cento dos 1.º ciclos de estudo e/ou mestrados integrados com vagas neste concurso.”
Segundo a UBI, a leitura comparativa com 2025 mostra “recuperações relevantes” na colocação em Ciências Biomédicas, Ciências do Desporto, Ciências Farmacêuticas e Design Industrial, que voltaram a preencher a totalidade das vagas em 2026.
O Mestrado Integrado em Medicina mantém-se como o curso com maior nota do último colocado e maior número de colocados. As notas de entrada mais elevadas foram registadas neste curso, com os colocados a terem um valor igual ou superior a 178,2 valores. Também se destacam Psicologia, com 165,5, Arquitetura, com 163,0, e Ciência Política e Relações Internacionais, com 160,5.
“Outra nota muito positiva deste ano prende-se com a subida das classificações em cursos com elevada percentagem de ocupação de lugares. As maiores subidas verificaram-se em Ciências Farmacêuticas (+21 pontos), Cinema (+13,5) e Arquitetura (+13,2), uma tendência também observada em Design Industrial, Ciências Biomédicas, Ciências do Desporto, Psicologia, Design Multimédia, Engenharia e Gestão Industrial, Sociologia, Ciência Política e Relações Internacionais e Medicina” afirma a UBI.
Na segunda fase, sobram as vagas que não foram preenchidas, com as candidaturas a poderem ser realizadas entre esta segunda-feira, 24, e 20 de setembro. Para os novos alunos, as matrículas decorrem entre hoje e quinta-feira, 27. Todas as informações sobre o processo, que pode ser feito online ou presencialmente, estão disponíveis na página Novos Alunos.
Guarda preenche 50% e queixa-se de “concorrência desleal”
Já na agora designada Universidade Politécnica da Guarda (antigo IPG), nesta primeira fase ficaram colocados 372 alunos, ou seja, mais 94 que no ano passado. Segundo os dados do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), a UPG preencheu a totalidade das vagas nos cursos de Enfermagem e de Design de Equipamento e Ambientes. A licenciatura em Educação Básica ficou apenas com duas vagas para a 2ª fase, e o curso de Marketing com uma. Os cursos de Desporto, de Comunicação e Relações Públicas e de Gestão também registaram boas taxas de colocação. No total, a Universidade Politécnica da Guarda preencheu 50,5% das vagas que colocou a concurso.
Segundo o reitor da instituição, Joaquim Brigas, em comunicado, os resultados deste Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior mostram duas coisas: “A primeira, é que há centenas de estudantes e de famílias que confiam no processo de afirmação e de qualificação desta nova universidade politécnica, enquanto instituição de ensino e de investigação científica; a segunda, é que o aumento generalizado de vagas em todo o País configura uma concorrência desleal para as instituições de Ensino Superior localizadas no Interior, em territórios de baixa densidade, as quais veem potenciais estudantes irem para os grandes centros como consequência de políticas que atacam a coesão territorial”.
Joaquim Brigas considera que a decisão do Governo em aumentar vagas nas universidades situadas nos grandes centros “é uma política errada, que o País irá pagar caro a médio prazo”. Em qualquer caso, o reitor afirma que a sua universidade aguarda agora pela 2.ª fase de candidaturas, na qual espera preencher a maioria dos cursos, à semelhança do que sucedeu no Instituto Politécnico da Guarda nos anos anteriores: “Faremos tudo para recuperar a dinâmica de procura e continuaremos a afirmar a Universidade Politécnica da Guarda como um ator fundamental para o desenvolvimento da sua região”.

UPCB cresce 28,6%
Já na Universidade Politécnica de Castelo Branco (antigo IPCB), há 630 novos alunos nesta primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, mais 140 do que no ano anterior. Segundo a instituição, este resultado representa um crescimento de 28,6% face a 2025 e traduz “uma recuperação significativa da capacidade de atração da instituição.”
Na Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias, Enfermagem, Fisioterapia e Imagem Médica e Radioterapia preencheram a totalidade das vagas, enquanto Ciências Biomédicas Laboratoriais alcançou uma ocupação de 97,1%.
Na Escola Superior de Artes Aplicadas, Design de Interiores e Equipamento atingiu a colocação plena e Design de Moda e Têxtil superou o número inicial de vagas, confirmando a forte atratividade das áreas criativas.
Na Escola Superior de Educação, Educação Básica preencheu todas as vagas, Serviço Social ultrapassou a capacidade inicial e Desporto e Atividade Física recebeu 50 novos estudantes.
Na Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova, Solicitadoria alcançou a colocação plena, destacando-se igualmente Gestão, com 30 estudantes colocados.
Na Escola Superior Agrária, Enfermagem Veterinária foi o curso com maior procura, recebendo 28 novos estudantes.
Na Escola Superior de Tecnologia, Engenharia Informática liderou as colocações da escola, com 19 novos estudantes.
