São 1993 os ciclistas que vão ajudar Olivier a subir à Serra

O “À Conquista da Torre” decorre entre sexta-feira e domingo. No sábado, a subida ao ponto mais alto de Portugal Continental, no cumprir de uma aposta de Olivier Bonamici

São 1993 os ciclistas que, no próximo sábado, 19, vão “ajudar” o jornalista e comentador desportivo da Eurosport, Olivier Bonamici, a cumprir uma aposta feita em julho do ano passado, por altura da Volta à França em bicicleta (o famoso Tour), com outros dois comentadores do canal, Paulo Martins e José Azevedo (ex-ciclista profissional), de subir ao ponto mais alto de Portugal Continental em cima de uma bicicleta. O “À Conquista da Torre- Festival de Cicloturismo da Serra da Estrela”, promovido pela Câmara da Covilhã entre sexta-feira, 18, e domingo, 20,  cativou uma autêntica multidão de interessados em fazer a subida não competitiva no sábado, 19, tendo as 1993 vagas disponíveis esgotado em menos de 48 horas, segundo a autarquia covilhanense.

Radicado em Portugal há 30 anos, Olivier Bonamici, de origem francesa, apostou no verão passado que o ciclista belga Remco Evenepoel ganharia o Tour, a principal prova velocipédica do mundo. E se ele não vencesse, subiria, ele próprio, de bicicleta, à Torre. Remco até andou bem nos primeiros dias, mas acabou por desistir, e o “Tour” foi ganho pelo inevitável esloveno Tadej Pogacar. Agora, Olivier vai cumprir a promessa, com a Câmara da Covilhã a pegar na ideia para promover a primeira edição do “1993- Festival de Cicloturismo da Serra da Estrela”, que contempla outras atividades associadas ao ciclismo e ao desporto.

“Ao longo de três dias, o Complexo Desportivo da Covilhã será o ponto de encontro de participantes, acompanhantes, visitantes, marcas e comunidade, com um programa que junta ciclismo, cultura, conversa, música e convívio” salienta a autarquia. Que destaca a realização da 1993 Bike, no Complexo, que reunirá marcas, profissionais do setor, cicloturistas e público num espaço inteiramente dedicado ao universo da bicicleta. “A área de exposição do festival proporciona às marcas uma oportunidade para apresentar produtos e novidades, criar experiências, gerar contactos e aproximar-se diretamente dos seus consumidores, num ambiente dinâmico e de contacto próximo com a comunidade ciclista”, explica a autarquia. A próxima sexta-feira marca o início do Festival 1993 e o final da tarde, o programa ganha uma dimensão mais cultural e de convívio, com a apresentação oficial do Festival 1993, a apresentação do livro “João Almeida e a Montanha Mágica”, de Gonçalo Moreira, e as BiciTalks, dedicadas às grandes etapas de montanha e à mítica subida à Torre, com Olivier Bonamici e convidados. A programação do primeiro dia termina com música e animação no recinto do Festival.

Sábado de manhã, a partir das 8:30,  os 1993 ciclistas partem da Covilhã para “À Conquista da Torre”, enquanto as Metas de Celebração no Parque do Pião, Penhas da Saúde e Torre convidam o público a acompanhar e celebrar a passagem do pelotão. Depois da chegada à Torre, haverá o regresso organizado dos ciclistas à Covilhã.

“É uma loucura saudável. Apostei no Remco, mas na altura eu pesava 123 quilos. Era obeso, mas ninguém me o dizia. Esta foi também uma oportunidade de tratar de mim”, contou Olivier na apresentação do certame, que entretanto já perdeu 31 quilos, “algo surreal”. O comentador reconhece que não é um “craque” das bicicletas, mas garantiu que ia treinar para conseguir pagar a promessa.  “Ainda falta a parte mais surreal. Não sei se vou conseguir. Mas vou, nem que seja a pé ou de joelhos”, garantiu, salientando o apoio da autarquia para o ajudar a cumprir a promessa que fez. “Ia desistir, mas recebi a chamada do presidente da Câmara da Covilhã a dizer que aceitavam o desafio. É muito importante para mim. Espero que se torne algo parecido à Rampa de Santo António, em Lisboa, que tem um cariz muito popular. A Covilhã tem tudo para ser a capital do ciclismo em Portugal”, garante o jornalista de ascendência italiana, de 54 anos.

O número que dá nome ao festival, 1993, e que é o das vagas disponibilizadas, não é inocente, pois remete para os metros de altitude da Torre. “A subida entre a Covilhã e a Torre faz parte da história do ciclismo português, mas também da relação da cidade com a montanha. O Festival 1993 parte dessa ligação para criar uma experiência coletiva em torno do cicloturismo, da descoberta do território e da Serra da Estrela”, explica a autarquia covilhanense.

Na apresentação, o presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, disse que o que se pretendia era uma grande celebração do cicloturismo, com um programa repleto de atividades como exposições, palestras, stands institucionais e promocionais, bem como animação, música e dj’s. “O evento vai decorrer durante três dias, de festa, animação e muita promoção de hábitos de vida saudáveis e ligados à natureza” garantiu o autarca covilhanense, que viu na aposta de Oliver Bonamici uma ideia que podia ser trabalhada no sentido de alavancar um conceito que já estava a ser delineado. Hélio Fazendeiro espera uma forte adesão, pois lembra que este é um evento que se destina a qualquer público, e não especificamente a atletas. “Não estamos a desenhar um evento exclusivamente para desportistas. Está aberto a todos os participantes, nacionais ou estrangeiros, a todas as pessoas que queiram desfrutar daquilo que é a Serra da Estrela, dos seus desafios, da sua beleza e do seu encanto”, afirmou. Hélio Fazendeiro garante que o que se pretende é não só aliar a prática desportiva à promoção do território, da natureza e ambiente, como também retirar a ideia de que só consegue subir à Torre, de bicicleta, quem é profissional. E promover também “a principal porta de entrada para a Serra da Estrela, que é a Covilhã, um concelho que promove hábitos de vida saudáveis e a prática desportiva.”

Luís Marques, vereador com a pasta do desporto na Câmara da Covilhã, lembrou que todos os anos as principais equipas de ciclismo nacional procuram a cidade para fazer estágios em altitude, de modo a prepararem a Volta a Portugal em bicicleta, que normalmente decorre em agosto. E por isso, o cicloturismo faz sentido como aposta do município. “É uma modalidade interessante, e que está muito ligada ao ciclismo, em que o desafio é superar-se a si próprio”, salienta.

No domingo, o Festival 1993 volta à estrada e aos trilhos com os Social Rides, propondo três formas diferentes de descobrir a Covilhã e o território envolvente: Cicloturismo de estrada, BTT e eBike. Num registo mais descontraído, o último dia pretende “prolongar o espírito de cicloturismo e descoberta que está na génese do Festival, ao mesmo tempo que a 1993 Bike Expo continua aberta ao público até ao encerramento da primeira edição”, explica a Câmara.

 

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