Três autarquias juntas para dar vida nova aos rios Zêzere e Mondego

Câmaras da Guarda, Celorico e Manteigas assinam acordo que prevê reabilitação dos rios, num investimento superior a 10 milhões de euros

Limpar margens, o leito do rio, reabilitar ecossistemas, criar trilhos ou percursos pedestres. São estes alguns dos projetos a que as câmaras da Guarda, Celorico da Beira e Manteigas se propõem no âmbito de um protocolo de colaboração que assinaram na passada segunda-feira, 13, na Guarda, que visa a reabilitação dos rios Mondego e Zêzere, num plano que implica um investimento superior da 10 milhões de euros.

Segundo o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, um acordo com importância estratégica “muito grande”, não só para os municípios envolvidos, mas para toda a região e País. “Porque assumimos o compromisso de fazer os projetos e as candidaturas para investir milhões de euros em 87 quilómetros dos rios Mondego, que abastece Coimbra, e Zêzere, que abastece Lisboa”, afirmou Sérgio Costa.

Para já, o acordo estabelecido prevê a elaboração do estudo prévio e do projeto de execução para submissão de candidatura ao aviso Centro2030-2024-38. Segundo Sérgio Costa, está prevista, além da limpeza das margens, “a reposição de metros e metros de zonas ribeirinhas arrastadas pelas recentes tempestades e a sua consolidação através da criação de bacias de dissipação para isto não voltar a acontecer tão depressa”. Os parceiros vão também proceder à limpeza dos leitos, reabilitar os ecossistemas e renaturalizar as margens do Mondego e do Zêzere, através da criação de trilhos e percursos pedestres nos concelhos de Celorico da Beira, Guarda e Manteigas. A ideia é valorizar e potenciar as zonas ribeirinhas destes dois rios que nascem na Serra da Estrela.

No rio Mondego, a intervenção irá desenvolver-se numa extensão de 51 quilómetros nos concelhos da Guarda e Celorico da Beira e incluirá ainda a criação de zonas de lazer, a melhoria da estrutura arbórea, a manutenção do bosque e o controlo de espécies invasoras.

Já no rio Zêzere, serão reabilitados 25 quilómetros nos concelhos de Manteigas e da Guarda com o objetivo de criar um corredor ecológico, implementar medidas de mitigação da erosão e conter as espécies invasoras. “Podemos estar a falar em cerca de 10 milhões de euros ou mais no cômputo dos três municípios, porque as tempestades de fevereiro vieram agravar a situação”, disse o presidente da Câmara da Guarda.

Sérgio Costa acrescentou que os promotores esperam contar com uma comparticipação financeira de, “pelo menos 85% através deste programa do Centro 2030”, suportando os três municípios os restantes 15%.

Flávio Massano, presidente da Câmara de Manteigas, afirma que com este acordo os três municípios estabelecem “uma parceria para tratar um problema comum”, que é tornar os rios Zêzere e Mondego “mais amigos das pessoas que vivem nestes territórios”. “Até há uns anos, não queríamos saber deles. Hoje não, muita da vida dos nossos territórios passa-se nos rios, estamos virados de frente para os rios e de mãos dadas com aquilo que é a sua biodiversidade”, considera. Flávio Massano lembra também que sem rios cuidados “não há água potável para beber aqui, em Coimbra ou em Lisboa, para os nossos ecossistemas e para a nossa biodiversidade de montanha”. “Estão previstas uma data de ações que vão permitir que os rios sejam transitáveis, palmilhados, usufruídos, que sejam, no fundo, a fonte de vida que nós queremos que eles sejam”, conclui.

Carlos Ascensão, autarca de Celorico da Beira, reconhece que, atualmente, os rios estão “muito abandonados” e que é preciso cuidar deles porque “temos aqui um manancial de enriquecimento do território fantástico”. O autarca afirma também que é preciso criar reservatórios de água, porque “no inverno temos muita e no verão temos muito pouca e é preciso guardá-la para termos água quando ela faltar ou escassear, como aconteceu em 2017”.

FOTOS: Pedro Ribeiro/ CMG

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