A Companhia de Teatro de Almada apresenta a peça “Um adeus mais-que-perfeito”, de Peter Handke, com encenação de Teresa Gafeira. A sessão decorre dia 23 de setembro, às 21h30, no Teatro das Beiras (Auditório Fernando Landeira), no âmbito da iniciativa “4as de teatro”, que estão de regresso.
A mãe de Peter Handke suicidou-se quando tinha 51 anos. Para tentar lidar com o acontecimento traumático, o escritor austríaco fez o que sabia fazer melhor: escrever. “Um adeus mais-que-perfeito” foi escrito durante dois meses no Inverno de 1972 e consiste numa viagem pela história da sua família: a vida dura dos avós no campo; a determinação da mãe em escapar àquele pequeno mundo opressivo; o riso do amor e a desilusão do desamor; um casamento abusivo; a solidão que sentia na casa onde ocupava os seus dias tomando conta dos filhos. A história da mãe de Handke é, ao mesmo tempo, a história da Europa Central: assistiu ao surgimento do nazismo, atravessou a II Guerra Mundial, e viveu a austeridade e o sofrimento que se seguiram.
No espetáculo, dois atores dão voz às inquietações de Peter Handke. O texto era originalmente um romance, mas Teresa Gafeira quis imediatamente levá-lo para o palco: “Costuma-se dizer que um texto para funcionar em teatro tem de ter conflito. Aqui existe conflito entre o indivíduo que, à partida, tem condições para ser qualquer coisa, para ter qualquer coisa, para se desenvolver na sua plenitude, e, depois, as circunstâncias anulam-no, começam a afetá-lo, até atingirem neste caso o cérebro e até levarem ao ato do suicídio”, explica a encenadora. “Neste caso, o conflito é entre uma mulher e as suas circunstâncias”.
Depois de assistir à estreia deste espectáculo, no último Festival de Almada, o crítico espanhol Afonso Becerra escreveu o seguinte: “Handke escreve para atenuar a dor mas, como ele mesmo assinala, não o consegue. Escreve tentando descrever a mãe e aproximar-se dela, mas também não o consegue. Eis a tensão dramática deste texto que não é directamente um texto dramático, mas um romance: a procura da mãe, a aproximação dificílima, a descrição não edulcorada literariamente do terrível e da dor excruciante”.
A peça conta com a interpretação de Duarte Guimarães e Pedro Walter. Dura 60 minutos e é destinada a maiores de 14 anos. Os bilhetes estão disponíveis no Teatro das Beiras e na Ticketline.
