“Falsos acidentes” lesaram cinco pessoas na Beira Interior

Dados da GNR são relativos a 2025. Esquema, este ano, já lesou vítimas em 72 mil 540 euros em Portugal

Nunca efetue pagamentos imediatos no local, proteja sempre os seus dados bancários, em situações de acidente rodoviário, fotografe sempre os veículos e o acidente, solicite a documentação da outra parte para efeitos de comunicação à seguradora e preencha sempre a participação amigável ou contacte a sua seguradora. São estes alguns dos conselhos da GNR para não cair “no conto do vigário”, no que diz respeito a uma nova burla que anda na estrada, que assenta na simulação de um acidente de viação, em que o alegado lesado exige logo verbas para reparar a viatura.

Segundo da GNR, em comunicado, nos primeiros seis meses de 2026, as burlas por simulação de acidentes de viação causaram um prejuízo acumulado de 72 540 euros às vítimas, aproximando-se da totalidade do valor registado durante todo o ano de 2025 (77 480 euros). A GNR alerta a população para a crescente sofisticação deste crime, no qual os suspeitos simulam colisões inexistentes para exigir pagamentos imediatos e aceder a contas bancárias, tendo sido registado um caso em que o prejuízo individual atingiu os 15 450 euros.

Entre janeiro e junho do corrente ano, a GNR contabilizou 30 denúncias deste fenómeno em território nacional, o que representa um aumento homólogo de 15,4% face aos 26 casos reportados em igual período do ano anterior. O distrito de Faro lidera a incidência em 2026 com 6 ocorrências, seguindo-se Lisboa, Porto, Viseu e Beja.

Este ano, na Beira Interior, até ao momento, foi apenas registado um caso no distrito da Guarda. Mas em 2025, foram três casos neste distrito, e dois no de Castelo Branco, ou seja, um total de cinco na Beira Interior.

Segundo a GNR, o esquema assenta normalmente numa encenação calculada para “explorar a boa-fé e o sentimento de culpa dos condutores”. Os autores seguem a vítima à saída de parques de estacionamento (com grande frequência junto a superfícies comerciais), utilizando sinais de luzes e avisos sonoros para forçar a paragem na via pública. Com “postura cordial, segura e persuasiva”, fazendo-se por vezes acompanhar por mulheres e crianças para transmitir uma falsa imagem de tranquilidade, convencem o condutor de que este embateu no seu veículo (geralmente apontando para riscos pré-existentes ou espelhos partidos). Depois, alegando pressa ou necessidade de evitar a perda de bónus de seguro e a intervenção policial, exigem o pagamento imediato do valor em numerário, acompanhando os lesados até caixas de multibanco (ATM) para efetuarem levantamentos. “Ou ainda, mais recentemente, os criminosos modernizaram a abordagem utilizando terminais de pagamento automático portáteis. Ao dissimularem o equipamento, observam o código PIN digitado pela vítima e trocam disfarçadamente o cartão bancário por outro similar, realizando de seguida levantamentos ilegais de quantias avultadas”, explica a GNR.

No que diz respeito às vítimas, a escolha “deliberada de condutores com mais de 60 anos constitui uma estratégia central dos burlões”, com os suspeitos a explorarem a vulnerabilidade emocional, o receio de complicações legais e a menor familiaridade com métodos de pagamento eletrónico, “visando um público que tipicamente detém maior disponibilidade financeira imediata.”

 

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