Preservar e partilhar a memória coletiva do Centro Histórico da Covilhã. É este o grande objetivo do projeto comunitário “Novelo- Histórias por desenrolar”, promovido pelo Grupo de Cidadãos do Centro Histórico da Covilhã, e dado a conhecer na passada terça-feira, 20, Dia da Cidade, na loja Tentadora, que acaba por ser o centro nevrálgico desta iniciativa.
Segundo os promotores, este projeto terá uma plataforma digital concebida para “servir de arquivo a todo o espólio recolhido.” Na sessão pública, bastante participada, foi igualmente dada a conhecer a metodologia de participação: uma rede de voluntários que atuará no terreno através da recolha de testemunhos, da digitalização e tratamento de fotografias antigas e da georreferenciação destes conteúdos num mapa interativo da zona histórica. “À medida que for sendo alimentada, a plataforma permitirá consultar livremente todos os materiais partilhados, abrindo uma janela acessível sobre as vivências e o passado do centro histórico”, explica o Grupo de Cidadãos.

A sessão deu depois lugar a uma dinâmica prática e participativa. Vários vizinhos partilharam pequenas histórias do quotidiano, enquanto outros participantes aproveitaram para colocar perguntas e trocar perspetivas — numa primeira experiência de “puxar o fio” deste novelo coletivo. Entre os testemunhos da tarde, foi possível ouvir o Sr. Viseu e o Sr. Fernando contarem diversas brincadeiras com as outras crianças do bairro, a D. Rosa recordar o bulício dos vendedores ambulantes de leite, ovos ou cabritos que outrora percorriam as ruas. A D. Laurinda trouxe para mostrar a carteira onde recebia a “feria” (salário) e o último recibo de vencimento quando a fábrica encerrou, no final dos anos oitenta. Finalmente, a D. Teresa falou da quantidade de pessoas que faziam e vendiam pasteis de molho na zona de Santa Maria, tendo sido ela uma das últimas.

Com o arranque formal do projeto, “o arquivo colaborativo começa agora a ser construído no terreno, dependendo da participação de todos os cidadãos que queiram partilhar memórias, ceder materiais para digitalização ou integrar as equipas de recolha voluntária” explica o Grupo de Cidadãos. O projeto pode ser acompanhado através do site novelo.pt e das redes sociais do Grupo de Cidadãos do Centro Histórico da Covilhã.

O Grupo de Cidadãos do Centro Histórico da Covilhã, com quase um ano de atividade, procura dar visibilidade aos anseios de quem vive, trabalha e estima o Centro Histórico da Covilhã. “Defendemos uma mobilidade urbana mais eficiente, melhores espaços públicos e de convívio e a valorização do nosso património”, salienta.
Fotos: Pedro Patrício