Exposições, oficinas, encontros com designers, conversas, uma conferência internacional dedicada ao património industrial e a apresentação dos desafios criativos, que apresentam soluções pensadas por alunos para espaços concretos da cidade, são alguns dos destaques da quinta edição da Covilhã Creative Week, que se realiza entre os dias 8 e 14 de novembro, com organização da Câmara da Covilhã.
Sob o mote “Covilhã, Design e Futuro”, esta iniciativa volta a colocar o design no centro da vida cultural da cidade, “promovendo o encontro entre criatividade, conhecimento, património e inovação”, salienta a autarquia em comunicado.
Segundo a Câmara, a Covilhã Creative Week afirma-se como “um espaço de encontro, experimentação e reflexão sobre a cidade e o seu futuro, aproximando diferentes gerações, saberes e setores de atividade. A iniciativa reforça a identidade da Covilhã enquanto Cidade Criativa da UNESCO na área do Design, valorizando a criatividade como instrumento de participação, inovação e desenvolvimento sustentável.”
Ao longo de sete dias, a programação estende-se a diferentes espaços da cidade e do concelho, envolvendo designers, artistas, instituições de ensino, empresas e a comunidade, numa celebração do potencial criativo do território.
A iniciativa tem início a 8 de novembro, Dia Municipal de Cultura, com um convite à descoberta e valorização do património cultural do concelho. Museus, bibliotecas, galerias, centros interpretativos e outros equipamentos culturais abrem as portas gratuitamente, num dia marcado por exposições, apresentações de livros, música e diversas atividades culturais.
Entre os destaques da programação encontram-se, ainda, as “Montras Criativas” que, em conjunto com as lojas de comércio tradicional do centro da cidade, levam o design ao espaço público e reforçam a ligação entre a criação contemporânea e o quotidiano da cidade.
A aproximação entre design e comunidade ganha particular expressão na exposição “Design Encaixa”, que estará patente na Praça do Município. Com curadoria do Atelier Vasco Pinho, a mostra apresenta os resultados de desafios criativos desenvolvidos por alunos de escolas do concelho e da Universidade da Beira Interior, em articulação com empresas. “Os trabalhos evidenciam o potencial do design para encontrar novas soluções para a cidade no futuro, com os alunos a apresentarem propostas para ruas concretas da cidade”, explica a organização.
O trabalho desenvolvido será, também, o ponto de partida para as “Conversas com a Cidade” nos dias 9 e 13 de novembro, que reúnem alunos, docentes e representantes das instituições e empresas envolvidas.
A vertente prática e participativa assume, igualmente, um lugar de destaque, através de oficinas que exploram novas abordagens à criação, à reutilização e à sustentabilidade. No dia 10 de novembro, a Biblioteca Municipal acolhe a oficina de “Reparação Têxtil”, orientada por Jessica Guy do Fab Lab Barcelona, bem como o workshop “Impressão botânica: moda circular e regenerativa” dinamizado pela designer Raquel Amaral. No mesmo dia, realiza-se uma conversa e apresentação de resultados do projeto “make-a-thek”, com a participação da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e do Município da Covilhã.
A programação abre, ainda, espaço à reflexão sobre o papel do design na transformação das cidades e na criação de novas oportunidades, nas “Conversas com a Cidade”. A designer brasileira Eneida Figueiredo apresenta a experiência de Brasília enquanto Cidade Criativa do Design da UNESCO. Já as conversas dos restantes dias cruzarão testemunhos de profissionais ligados a projetos e marcas da Covilhã, proporcionando diferentes perspetivas sobre o presente e o futuro do design. Integra também o programa a apresentação do painel “Debuxo: Memória e Património da Covilhã”, por Jorge Trindade.
A relação entre criatividade, memória e identidade territorial ganha especial relevância com o “INDUSTRIAL – Encontros com a Cidade Fábrica | Desígnios para a Cidade”, uma iniciativa que propõe olhar para o legado industrial da Covilhã como património vivo e recurso para pensar o futuro. Igualmente imperdíveis a visita guiada historicamente informada e a performance “A reaver o fio à meada”, pela LIÇO, no New Hand Lab, que permitem novas ligações entre a história industrial e as práticas artísticas contemporâneas.
Este olhar sobre o património prolonga-se até ao último dia da Covilhã Creative Week, a 14 de novembro, com a realização da Conferência Internacional do Património, Turismo e Arqueologia Industrial, que decorre no New Hand Lab. O encontro reúne especialistas nacionais e internacionais para refletir sobre os desafios da preservação e valorização do património industrial, o seu contributo para a identidade dos territórios e as oportunidades associadas ao turismo cultural e sustentável. A conferência contará com uma palestra de Errol Van de Werdt, conversas dedicadas às perspetivas europeias sobre o património industrial e à construção de destinos sustentáveis, bem como performances e outros momentos de partilha e apresentação. Entre os destaques encontra-se, ainda, a apresentação do primeiro volume da coleção “C. Covilhã Património Cultural”, uma iniciativa que reforça o compromisso com a investigação, a preservação da memória e a divulgação do património cultural do concelho.