Centrais solares: projeto Sophia reformulado, Beira abandonado

Empresa promotora reduz capacidade instalada num projeto em 34% e deixa cair por terra o outro

As anunciadas megacentrais solares a instalar na Beira Interior vão ter destinos diferentes após a avaliação de impacte ambiental negativa aos projetos iniciais.  A multinacional britânica Lihgtsource BP, promotora das duas centrais, reformulou o projeto da central solar fotovoltaica Sophia, reduzindo a capacidade instalada em 34%, numa reformulação que vai submeter à autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) até dia 02 de outubro após a identificação de “impactes negativos muito significativos”. Já no que diz respeito ao projeto Beira, optou por abandonar o mesmo.

No que diz respeito ao Sophia, segundo a empresa, relativamente à capacidade instalada é feita uma redução de 34%, de 867MWp (Megawatt pico) para cerca de 573MWp. “Neste contexto, a área vedada do projeto é reduzida em 32% e o número de núcleos vedados diminui de 44 para 22, uma redução de 50%”, explica a Lightsource BP em comunicado.

O projeto inicial da central abrangia os municípios do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, e uma capacidade instalada de 867 MWp. A área ocupada do projeto por módulos fotovoltaicos era de 390 hectares, 435 hectares considerando todas as infraestruturas, e um total de 1.734 hectares de área vedada.

(Projeto inicial)

A nova proposta que vai ser apresentada à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para avaliação reduz a área ocupada nos concelhos de Penamacor e Idanha-a-Nova e mantém no concelho do Fundão o troço da linha até à subestação que assegura a ligação do projeto à rede elétrica. A nova proposta elimina também os quatro corredores de linhas aéreas de média tensão previstos na configuração inicial e cerca de 70% da extensão da linha preferencial proposta fica adjacente a linhas já existentes no território, “permitindo concentrar esta infraestrutura num corredor elétrico já estabelecido e, dessa forma, reduzir os respetivos impactes”. “Cerca de 70% da área ocupada por painéis corresponde na proposta reformulada a monocultura de eucalipto. Além disso, o projeto retira-se completamente da zona com potencial de regadio futuro (ocupação de 222,1 hectares para zero hectares)”, salienta o promotor.

A reformulação do projeto do parque solar Sophia é acompanhada por um programa de benefícios partilhados que implica um investimento global de mais de 20 milhões de euros, através de 10 iniciativas de proximidade ao serviço do território. Este inclui um projeto de autoconsumo coletivo, a par de medidas de apoio a famílias em situação de pobreza energética, promoção da literacia energética, formação e empregabilidade, investimento social local, apoio à prevenção e combate a incêndios e à atividade agropastoril, e valorização do turismo sustentável na Beira Baixa.

(Projeto reformulado)

Miguel Lobo, diretor-geral da Lightsource BP em Portugal, citado no documento, garante que a solução agora apresentada “reduz significativamente a dimensão do projeto e altera a sua implantação, procurando responder às preocupações identificadas ao longo do processo”. O responsável salienta que os contributos recebidos durante a consulta pública, as reuniões e sessões com a população e os pareceres das entidades “permitiram reformular o projeto do parque solar Sophia com mais pormenor, apesar de este ainda se encontrar numa fase de estudo prévio, distante ainda da implementação, que está prevista para 2029”.

Na componente ambiental, o projeto reduz em 99% a intersecção com áreas de Reserva Ecológica Nacional, passando de 10,8 hectares para cerca de 0,1 hectares. É igualmente eliminada a afetação de 7,1 hectares de povoamentos de carvalho-negral e a reformulação deixa ainda de prever o abate de sobreiros e azinheiras de grande porte, continuando a garantir-se que não existem abates de sobreiros e azinheiras em povoamento. Na componente de avifauna, a distância ao dormitório de abutre-negro aumenta de 290 metros para aproximadamente 4,4 quilómetros.

A promotora da central solar fotovoltaica Sophia tem como prazo o dia 02 de outubro para submeter à autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) a reformulação do projeto após a identificação de “impactes negativos muito significativos”.

Em fevereiro, a comissão de avaliação coordenada pela APA confirmou a identificação de “impactes negativos significativos e muito significativos” no projeto da central solar fotovoltaica Sophia. Segundo a AIA, esses impactes negativos significativos e muito significativos verificaram-se designadamente ao nível da paisagem, do solo e uso do solo, do ordenamento do território e da socioeconomia.

Central Beira sem reformulação

Destino diferente terá o projeto da central solar Beira, também promovido pela Lightsource BP. A empresa abandonou o projeto que estava previsto para os concelhos de Castelo Branco e Idanha-a-Nova e não o vai reformular.  “Na sequência do processo de avaliação ambiental do projeto Beira foram identificadas várias alterações a considerar numa eventual reformulação, incluindo elementos resultantes do parecer emitido pela Comissão de Avaliação”, explica a empresa.

A central Beira contemplava a instalação de 425.600 módulos fotovoltaicos, com uma potência total de 266 Megawatt (MW), numa área de 524,4 hectares dos concelhos de Castelo Branco (Monforte da Beira, Malpica do Tejo, Benquerenças, União das Freguesias de Escalos de Baixo e Mata e Castelo Branco) e Idanha-a-Nova (Ladoeiro e União das Freguesias de Idanha-a-Nova e Alcafozes).

Para já, a Lightsource BP vai abandonar o projeto tal como inicialmente estava desenhado e nem sequer vai pedir a sua reformulação.  “A análise das implicações dessas alterações na configuração do projeto demonstrou que não estavam reunidas as condições de viabilidade financeira necessárias para prosseguir com o desenvolvimento da solução reformulada”, vinca a multinacional britânica.

A comissão de avaliação coordenada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) chumbou, em dezembro de 2025, o projeto da central fotovoltaica da Beira após identificar impactos negativos significativos ao nível dos sistemas ecológicos e do uso de solo.  No âmbito do procedimento de avaliação de impacte ambiental (AIA), “na configuração apresentada, o projeto [central fotovoltaica da Beira] não reunia condições para ser viabilizado, pelo que a APA auscultou o proponente quanto ao interesse de o projeto ser objeto de modificação” ao abrigo do regime jurídico de AIA.

 

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