Uma “oportunidade” através da qual o município pretende agregar “toda a produção cultural e artística”. É assim que o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, justifica a candidatura a Capital Portuguesa da Cultura em 2028.
A Guarda vai candidatar-se para fazer da cidade um “espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento”, anunciou, na passada segunda-feira, em comunicado, a autarquia. Segundo esta, “sob o conceito de cidade ‘guardiã’: guardiã da história, da memória e da identidade, mas aberta à modernidade e ao futuro, a candidatura propõe uma visão assente na relação entre tradição e inovação, afirmando-se como instrumento essencial para o desenvolvimento da política cultural do concelho e de todo o distrito da Guarda”. A Câmara diz que a candidatura a Capital Portuguesa da Cultura em 2028 é “um projeto estratégico que visa posicionar a Guarda como espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento”.
“A candidatura parte da singularidade histórica, geográfica e cultural que define a cidade e o concelho como, simultaneamente, território de montanha e de fronteira, para construir uma visão cultural sólida, enraizada no município e projetada para a região e para o País”.
O autarca local diz que esta candidatura será uma ferramenta para concretizar a visão que entende por política cultural da Guarda nos próximos anos. Com este projeto, o Município pretende criar condições para a produção e criação artísticas a partir do território, envolvendo instituições, associações, criadores, agentes culturais e económicos, comunidades locais e parceiros nacionais e internacionais. “A candidatura não se esgota na capital de distrito: quer ser o resultado de um esforço coletivo de articulação territorial, em efetiva colaboração em rede com todos os municípios da região”, refere.
Nesse sentido, um dos eixos estruturantes da candidatura a Capital Portuguesa da Cultura em 2028 é a “condição raiana” da Guarda e a sua “ligação umbilical” às comunidades e municípios da vizinha Espanha. “Ignorar esta realidade seria construir um projeto cultural e identitário artificial. Por essa razão, os municípios da raia espanhola vão integrar a candidatura como parceiros”, adianta a autarquia.
Sérgio Costa justifica que “a Guarda sempre foi porta de entrada e de saída, lugar de passagem, de encontro e de acolhimento“. “Queremos transformar essa condição histórica numa força cultural contemporânea, capaz de ligar pessoas, territórios, criadores e instituições dos dois lados da fronteira”, sublinha.
Com esta candidatura, a Guarda pretende ainda afirmar “a vitalidade dos territórios do Interior: sendo o concelho um território de baixa densidade demográfica, é simultaneamente um território de elevado potencial cultural e criativo”.
“As comunidades da fronteira raiana partilham a mesma necessidade de maior atenção dos centros de decisão política e é nessa afirmação coletiva que a candidatura encontra parte do seu sentido mais profundo”, é realçado.
A ambição do município é que “a Guarda 2028 fixe criadores, reforce os agentes culturais locais e venha a gerar dinâmicas que perdurem muito além do ano de título”.
O objetivo é deixar “um legado duradouro em múltiplas dimensões: cultural e artística, de coesão e participação social, de inclusão e acesso à cultura, de estímulo ao turismo cultural e de criação de um modelo de governação cultural com continuidade estratégica para além dos ciclos autárquicos”.
A Guarda já tinha concorrido a Capital Europeia da Cultura em 2027, mas foi excluída ainda na fase de pré-seleção, em 2022, das quatro cidades portuguesas candidatas. Évora acabou por ser escolhida para Capital Europeia da Cultura em 2027, estatuto que vai dividir com Liepaja, na Letónia.
