A associação ambientalista Quercus questiona a “versão cor de rosa a circular” sobre o projeto da mega-central Sophia, bem como as “boas intenções” da promotora, a Lightsource BP.
Em comunicado, a Quercus lembra que a consulta pública da mega central teve 12 693 participações, com apenas 123 favoráveis ao projeto. “Uma rejeição massiva, também das autarquias, com sólida fundamentação técnica e científica da Comissão de Avaliação. O parecer negativo fundamenta-se na “fraca compatibilidade do projeto com os princípios da sustentabilidade ambiental, do ordenamento do território e da justiça territorial, bem como uma desproporção entre os benefícios energéticos expectáveis e a magnitude, extensão e dos impactes cumulativos identificados”.
A associação recorda que a Comissão de Avaliação foi “bastante clara sobre a inviabilidade do projeto”, e se a reformulação é economicamente viável “é porque a sustentabilidade ambiental não está suficientemente assegurada. E será por isso que a BP promete agora um pacote de 20 milhões de euros às populações e sessões de esclarecimento com o apresentador televisivo Jorge Gabriel para disfarçar essa mesma insustentabilidade”, acusa.
A Quercus diz que a empresa não disponibilizou dados suficientes para confirmar a veracidade dos dados divulgados, “à exceção da salvaguardada da Rede Natura 2000 e das Áreas Protegidas. Mas a redução anunciada das áreas não elimina a escala da ocupação – cerca de 12 km de comprimento e 2,6 Km, que continua inaceitável. A nível da fauna a redução das áreas de alimentação, reprodução e refúgio continua grave levando a uma diminuição acentuada da biodiversidade local e desmantelamento dos ecossistemas naturais existentes”, acusa.
Idanha “não está à venda”
Já a Câmara de Idanha-a-Nova, em comunicado, lembra que emitiu um parecer formalmente desfavorável à implementação desta central solar fotovoltaica no dia 14 de novembro de 2025, “após uma análise técnica rigorosa.” E garante que “nenhuma compensação financeira nos fará divergir do desejo dos nossos munícipes.” A recente reformulação do projeto “Sophia”, diz a autarquia, “não passa de uma ilusão de cedência.”
Um comunicado que surgiu a propósito da realização de uma sessão pública de esclarecimento da empresa Lightsource BP no Centro Cultural Raiano. A Câmara clarificou que esta sessão “não obteve qualquer apoio do Município, com exceção da cedência do espaço”, e a premissa que “impusemos, no sentido da livre – e sem qualquer restrição – participação e presença de toda a comunidade de Idanha-a-Nova que esteja interessada em participar.”
“Idanha-a-Nova não está à venda para megaprojetos massivos”, garante a autarquia.
