A avançar em várias frentes para cumprir o prazo estipulado, 31 de agosto, de modo a garantir financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Assim se encontra a obra de construção da nova Unidade de Cuidados Continuados (UCC) da Santa Casa da Misericórdia do Fundão, um investimento de seis milhões de euros, que tem garantido um financiamento de 2,9 milhões de euros do PRR, desde que cumpridos os prazos.
O provedor da instituição, Jorge Gaspar, já revelou que a empreitada está “em contrarrelógio”. O edifício, com quase quatro mil metros quadrados, tem toda a estrutura feita, com alvenarias concluídas, mas a decorrer ainda o revestimento exterior em capoto, a parte de águas e esgotos, a marcação de eletricidade, e os alumínios, tal como as cantarias em granito. “No fundo, estamos a trabalhar em várias frentes, em contrarrelógio, porque a obra tem de estar concluída a 31 de agosto”, reitera Jorge Gaspar, que lamenta que as instituições particulares de solidariedade social (IPSS) “tenham sido excluídas da vantagem que foi negociada com a União Europeia e que apenas se aplica às obras do Estado”. Porque, “estamos a fazer uma obra que é para as pessoas, de interesse público, tal como é uma escola, um centro de saúde. Esta é uma unidade de saúde que é colocada à disposição das pessoas deste território da Cova do Beira e que é de extrema importância”.
A obra conta ainda com um apoio de 500 mil euros da Câmara do Fundão, tendo a instituição que assegurar cerca de três milhões de investimento próprio.
A Misericórdia do Fundão já tem uma unidade com capacidade para 60 utentes, 30 de longa e 30 de média duração, mas “está sempre cheia” e “temos pessoas que estão em casa, num hospital ou vão para unidades longe da região porque não têm camas”. Com a nova UCC, esta IPSS vai disponibilizar mais 88 camas, divididas por 10 camas de longa, 30 camas com licença, 20 camas de média duração, 10 para paliativos e as restantes para promoção de autonomia.
Para conseguir avançar com o projeto, a Misericórdia teve de reduzir a área de 5.300 para 3.700 metros quadrados, sem perder camas, e dividir as valências em cinco concursos diferentes, o que também impediu a celeridade dos procedimentos.
As tempestades do início do ano também absorveram muita mão de obra, mas “temos aqui a perspetiva de concluir a obra a tempo, porque o nosso empreiteiro já tem adjudicado mais de 95% de todos os materiais necessários”.
Outro obstáculo a ultrapassar prende-se com o financiamento. “Além do subfinanciamento do PRR, a instituição teve de ir à banca e está a fazer um esforço financeiro grande para fazer esta obra. O município comprometeu-se com uma verba, que é um bom apoio, mas há dinheiro que precisamos agora”, salienta o provedor.
Daí “o apelo que fazemos à comunidade e ao tecido empresarial e estou convencido que vão responder de forma positiva, porque todos seremos mais fortes”, conclui Jorge Gaspar.
Depois do concerto solidário em maio, a Santa Casa da Misericórdia criou um Puzzle, com 500 peças. Já vendeu mais de 100 peças, mas se vender a totalidade consegue arrecadar 250 mil euros.
Lançou a primeira história da coleção infantil, que tem no centro a mascote desta obra, a Aurora. “Além da angariação de verbas, estas histórias têm um duplo objetivo, pois também pretendem despertar nos mais novos, desde cedo, o sentido da solidariedade”, explica.
Ao mercado também já chegou o novo vinho com rótulo Quinta d’Arroba, produção própria da instituição, um rosé, que se junta ao tinto, ao branco e ao reserva, alguns deles premiados. “Já produzimos vinho desde 2016, com qualidade. Se ganharmos um euro por garrafa, em 50 mil garrafas, são 50 mil euros, acrescentamos valor”.
